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Rio de Janeiro: programa mantém atendimento psicológico online a famílias

Aconchego Família atende famílias em situação de vulnerabilidade

Agência Brasil
postado em 13/05/2020 09:02
Aconchego Família atende famílias em situação de vulnerabilidadeEm virtude da pandemia do novo coronavírus, a organização não governamental (ONG) Saúde Criança decidiu manter, em ambiente virtual, o atendimento psicológico prestado há mais de 20 anos a famílias em situação de vulnerabilidade social no Rio de Janeiro, por meio do programa Aconchego Família.

Os encontros virtuais ocorrem em aplicativos de reuniões (como zoom e hangout) e são facilitados por psicólogos, assistentes sociais, advogados e voluntários, a depender do tema em debate.

A fundadora e presidente do Conselho de Administração da ONG, Vera Cordeiro, conta à Agência Brasil que o atendimento mediado é um aprendizado conjunto para quem participa. "As mães têm muito a ensinar umas para as outras. Às vezes, o tema é gravidez na adolescência. Aí, mães da Maré, do Vidigal, da Rocinha trocam informações sobre o que é ser mãe de uma grávida de 13 ou 14 anos".

Segundo ela, o Aconchego Família é um dos programas mais procurados da organização e muito popular entre as mães. ;Com essa covid-19, a gente conseguiu manter isso através da internet. Elas falam por ;zoom;, por celular. Elas conseguem fazer um grupo no qual continuam trocando informações cruciais entre si sobre a vida;.

Entre os assuntos mais abordados nos atendimentos estão cuidados para evitar o contágio pelo novo coronavírus, desenvolvimento infantil, saúde, alimentação alternativa, higiene, relacionamentos familiares, violência, acidentes domésticos, entre outros. O objetivo dos encontros é confortar, acolher e aproximar

Campanha

Em paralelo, diante da pandemia do novo coronavírus e com a perda de antigos patrocinadores, entre os quais companhias aéreas, a ONG lançou a campanha #UmaMãoLavaAOutra, para arrecadar fundos e manter o atendimento às famílias assistidas pelo projeto Aconchego Família. As doações podem ser feitas no site da organização.

No período de 25 de março a 7 deste mês, a organização arrecadou mais de R$ 800 mil, o que permitiu recarregar o cartão-alimentação de 267 famílias atendidas. ;São famílias vulneráveis e com filhos doentes, abaixo da linha da pobreza. Mais drama impossível;, disse Vera.

A campanha #UmaMãoLavaAOutra continua e a prestação de contas é feita a cada 15 dias. A assistência oferecida é multidisciplinar, com doação de remédios, apoio psicológico e jurídico, doação de cestas básicas e de materiais de limpeza e de higiene.

;Como a pobreza é multidimensional, a gente age de forma multidisciplinar, para não fazer maquiagem na pobreza mas, sim, para realmente dar autonomia e autossustento às famílias;, conta Vera.

Replicação

Ana Carolina, moradora no município de Quatis, situado na microrregião do Vale do Paraíba Fluminense, perdeu a filha Valentina, de 3 anos e sete meses, no ano passado, e à época encontrou conforto no programa.

Agora, com a pandemia e o isolamento social, resolveu compartilhar o carinho e conforto que recebeu no Aconchego Família com outras mães de sua comunidade, promovendo encontros online. ;Depois que o Saúde Criança passou pela minha vida, eu entendi a importância de escutar e ter um olhar enfático para outras mães. Isso seria muito necessário onde eu vivo. Então, resolvi criar uma rede chamada Aplan, que atende mães e famílias de pessoas com deficiência. Eu vi a importância desse aconchego aqui no meu município;, contou Ana à Agência Brasil.

Na última roda de conversa online que organizou, cerca de 11 mães participaram, algumas inclusive de outros municípios vizinhos. ;A gente tem, por exemplo, cadeira de rodas para emprestar, muleta, andador; a gente consegue cesta básica. É um projeto que acabou sendo ampliado;. Ana pretende dar continuidade ao projeto e está em busca de novas parcerias. ;Ainda é um projeto super pequeno. Acabei de tirar ele do papel. Escrevi ele com um olhar muito enfático para as outras mães, porque eu também passei por esse problema;.

[SAIBAMAIS]Fez questão de frisar que tudo que pensou foi inspirado no Saúde Criança. ;Porque é um apoio emocional que o Saúde Criança dá para a gente. Diante de tudo que eles já ajudam a gente, o apoio emocional vale muita coisa. Eu ficava na ansiedade de chegar na quarta-feira para conversar com os psicólogos, aprender com as outras mães porque, muitas vezes, a gente só quer falar, só quer um abraço. E o Saúde Criança é muito acolhedor;.

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