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Correio Braziliense

Novo coronavírus começa a se interiorizar no Brasil, diz Pazuello

"Vamos ter que ter as estruturas preparadas nas capitais e regiões metropolitanas para receber esse pessoal do interior, que não tem essa estrutura lá", ressaltou


postado em 25/05/2020 19:04 / atualizado em 25/05/2020 19:08

(foto: José Dias/PR)
(foto: José Dias/PR)
Mesmo sendo o segundo país com maior número de casos de covid-19 no mundo, o Brasil ainda está iniciando a interiorização do vírus. É o que disse o ministro interino da da Saúde, general Eduardo Pazuello, durante videoconferência em comemoração aos 120 anos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), nesta segunda-feira (25/05).

"Vamos ter que ter as estruturas preparadas nas capitais e regiões metropolitanas para receber esse pessoal do interior, que não tem essa estrutura lá", ressaltou Pazuello depois de afirmar que o país está caminhando para a terceira etapa da pandemia: a de trabalhar com os impactos no interior. As duas fases anteriores, segundo ele, são a preparação e o impacto nas capitais e regiões metropolitanas. 

O comentário foi feito após o Instituto de Comunicação e Informação em Saúde (Icict) da fundação divulgar uma nota técnica alertando sobre a velocidade em que o vírus se interioriza. Os estudiosos avaliaram que em apenas uma semana (de 9 a 16 de maio), nos municípios com população entre 20 e 50 mil habitantes, a cada dia, seis cidades registravam pela primeira vez uma morte pela doença. Entre municípios menores, com população de 10 a 20 mil habitantes, a inclusão foi de cinco cidades a cada dia. 

A nota técnica pontuou que a acessibilidade geográfica é um dos grandes desafios da rede pública brasileira, devido às dimensões continentais do país. "É evidente que nem todos os municípios do país devem ter um centro de tratamento intensivo, mas é necessário definir serviços de referência e contrarreferência no atendimento à saúde, evitando vazios de atendimento, bem como deslocamentos longos, que podem afetar o estado de saúde do indivíduo”, alerta a equipe. 

De acordo com a análise, mais de 7,8 milhões de brasileiros estão a pelo menos quatro horas de distância de um município que ofereça atendimento de alta complexidade, com Unidade de Terapia Intensiva (UTI), capazes de receber pacientes graves de covid-19. A pior situação ocorre nos estados do Amazonas, Pará  e Mato Grosso, onde mais de 20% da população mora em áreas afastadas e sem o serviço. 

O novo coronavírus já tem presença em quase 60% dos municípios brasileiros, atingindo 3.270 cidades até o última atualização feita pelo ministério da Saúde. Em 1.220 municípios (21,9%), também há registro de mortes. 

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