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Correio Braziliense

Três meses após primeiro caso de covid-19, Brasil passa de 25 mil mortes

Desde o fim de fevereiro, o Brasil presenciou a queda de dois ministros da Saúde e chegou ao 2º lugar no ranking de infectados. Em meio à interiorização do vírus, o país bateu, ontem, as marcas de 400 mil casos confirmados e 25 mil mortes


postado em 28/05/2020 06:00 / atualizado em 28/05/2020 06:14

(foto: Editoria de Ilustração/CB/D.A. Press)
(foto: Editoria de Ilustração/CB/D.A. Press)
Depois do início do surto na China em dezembro, pico na Europa e nos Estados Unidos em março e abril, a América do Sul passou a ser considerada o novo epicentro da doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Três meses se passaram desde a confirmação do primeiro caso de covid-19 no Brasil. Em 90 dias, o país registrou números dramáticos, ultrapassando China, Itália, Espanha e Reino Unido, até se tornar o segundo país com mais casos da doença no mundo, ficando atrás, apenas, dos EUA. Nem isso, porém, fez o combate à pandemia virar protagonista nas ações do governo federal. Pelo contrário, a queda de dois ministros da Saúde gerou mais tensão política. Com um ministro interino à frente da pasta, o país apresenta crescimento exponencial, com 411.821 casos e 25.598 óbitos, e vê a interiorização da doença ganhar força.

Especialistas acreditam que o Brasil esteja na fase de aceleração e que pode chegar ao pico da doença em breve. “Nós, provavelmente, estamos ainda nessa fase de aceleração, chegando ao pico. É importante ressaltar que a queda desse número de casos positivos por dia é mais lenta do que a subida porque a gente passa a ter um número maior de pessoas dispostas. Então, a transmissão da doença se torna um pouco mais acelerada”, explica Gustavo Campana, diretor médico da Dasa, grupo do Laboratório Exame. 

“Na América do Sul, estamos particularmente preocupados com o fato de que o número de novos casos reportados na última semana no Brasil foi o mais alto para um período de sete dias desde o início da pandemia”, afirmou, em coletiva de imprensa desta semana, Carissa Etienne, diretora da Opas (Organização Panamericana da Saúde), braço da OMS. Sendo puxado pelo Brasil, para Etienne, “não há dúvida, nossa região (América Latina) se tornou o epicentro da pandemia.”

Das capitais, o vírus se alastrou para cidades menores, muitas delas, com estrutura hospitalar precária. A tendência de interiorização do vírus pode ser percebida pelo aumento de municípios que registraram casos no Brasil. Em 20 de abril, eram 1.426 cidades infectados (25,6%). Depois de 35 dias, o número mais do que duplicou e novos 2.345 municípios confirmaram casos. Dados do Ministério da Saúde mostram que até segunda-feira, 3.771 cidades brasileiras já marcavam, pelo menos, um caso de covid-19, sendo que na maioria desses municípios, 2.746, existem de dois a 100 infectados. Enquanto isso, 1.536 dos municípios registraram casos fatais.

“A gente observa que 67,7% dos municípios brasileiros já identificaram casos confirmados de covid-19, com uma tendência bastante pronunciada de interiorização”, avaliou o secretário substituto de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Eduardo Macário, em coletiva na terça-feira. Tendência, aliás, que pode ser vista no estado de São Paulo, onde 515 cidades têm, pelo menos, um caso.

“Quando observamos a região metropolitana de São Paulo, percebemos que o aumento não acontece de forma tão pronunciada como no restante do estado. Então, embora nós entendamos que essa região tenha um grande número de casos notificados, temos observado cada vez mais uma interiorização da doença”, explicou Macário.
 
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Concentração de recursos
Um dos problemas na etapa que o vírus se interioriza é a falta de equipamentos essenciais para o tratamento da covid-19. Um estudo realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) apontou que a distribuição dos recursos de saúde utilizados no tratamento dos infectados no estado do Rio de Janeiro é desigual. Levantamento feito pelo Projeto Avaliação do Desempenho do Sistema de Saúde (Proadess), do Instituto de Comunicação e Informação em Saúde (Icict) da Fiocruz, mostra que “a região compreendida pela capital e por municípios da Baixada Fluminense concentra, pelo menos, 45% de todos os recursos de saúde estaduais, chegando a responder por mais de 70% dos médicos e enfermeiros intensivistas trabalhando no SUS, marcadamente no município do Rio de Janeiro”.

Gustavo Campana, diretor médico da Dasa, ressalta que a pandemia se comporta diferente em cada região e isso pode variar de acordo com a rotina das pessoas de cada localidade. “Por isso que não existe uma forma homogênea de tomar decisões para todas as regiões do país. As medidas devem ser regionalizados e devem levar em conta a amplitude e a forma de disseminação local”, observa o especialista.

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