Brasil

Conselho Federal de Psicologia tem aumento de pedidos de consultas virtuais

Durante a pandemia, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) registrou, somente entre março e abril deste ano, 51.747 novos pedidos para que psicólogos trabalhem virtualmente

Bruna Lima, Maria Eduarda Cardim
postado em 02/06/2020 06:00
ilustração de um homemEm meio às incertezas trazidas pelo novo coronavírus, o cuidado à saúde mental surge como necessidade e reflete na busca por atendimento psicológico pela internet, que aumentou em todo o país. A maior demanda vem acompanhada do desafio em prestar o serviço e garantir o sigilo tal como em terapias presenciais.
Durante a pandemia, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) registrou, somente entre março e abril deste ano, 51.747 novos pedidos para que psicólogos trabalhem virtualmente. Esse número é superior a todas as solicitações já feitas na história: 30.677 cadastros até fevereiro. Só durante a pandemia foram autorizados 39.510 novos cadastros de profissionais. Desde 2018, o conselho exige a formalização na plataforma e-Psi para poder fiscalizar os trabalhos, de maneira a garantir sigilo, proteção e confidencialidade. Em 26 de março, um mês após o surgimento do primeiro caso do coronavírus no Brasil, uma nova resolução do CFP reforçou o cumprimento do Código de Ética Profissional da categoria e o cadastro prévio no e-Psi como prerrogativas para o atendimento de forma remota.
Acostumada com os encontros presenciais de terapia, a professora Gabriela Rúbia, moradora de Belo Horizonte, precisou começar a encontrar a psicóloga em um ambiente virtual. ;A gente vive um paradoxo, quando estamos na nossa rotina desenfreada de capital, ficamos arranjando inúmeras desculpas para não realizar o autocuidado por falta de tempo. E agora, ao conseguir manter as sessões, a terapia tem me ajudado a enxergar um caminho para o autoconhecimento, reformular questões antigas e pensar novas.;
Se por um lado ela encara como positiva a experiência por não precisar sair de casa, esse mesmo fator é um dos pontos de receio. ;Por mais que tenha praticidade e comodidade de não ter que ir até o consultório, fico com medo de que minha família, estando perto, possa estar escutando o que eu vou trabalhando com a terapeuta;, pondera Gabriela.
Efeitos mais perigosos, contudo, podem surgir a partir da combinação da ausência de um ambiente neutro ao se atrelar as consultas ao uso de plataformas não preparadas para lidar com esse tipo de sigilo. ;Com as medidas de isolamento, muitos psicólogos passaram a buscar alternativas para fazer o atendimento de casa e começaram a usar ferramentas gratuitas, como Skype e WhatsApp. Sem nenhum tipo de garantia de confidencialidade. Esses aplicativos podem ter vazamento de dados e isso expõe o paciente. Foi o que aconteceu com o Zoom, que acabou sendo bloqueado pela Anvisa justamente por isso;, explica o psicólogo Elias Balthazar.
Balthazar é fundador da Terapia de Bolso, plataforma de atendimento por vídeo. A empresa quintuplicou o número de atendimentos virtuais no período de quarentena e aumentou em 300% o número de profissionais cadastrados. Já a busca de psicólogos interessados em realizar atendimentos seguros e à distância aumentou 11 vezes.
Por meio do portal, é possível escolher a especialidade do profissional e o horário do atendimento. Usuária do serviço há dois anos, a estudante Daniela Nasciutt encontrou no canal on-line uma forma de manter a terapia e se expressar em português após se mudar para Califórnia (EUA). ;Apesar de ser fluente em inglês, eu sinto que poder me expressar na língua materna e ter uma terapeuta familiarizada com minha cultura faz com que eu me sinta abraçada e compreendida, faz total diferença para mim;, explica.

Orientações

Para facilitar essa migração de consulta não só para o paciente, mas também para o profissional, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) viu a necessidade de formar um grupo de trabalho para a construção de orientações à categoria, nos domínios do ensino de avaliação psicológica, desenvolvimento e utilização de instrumentos na modalidade on-line e remota. Estas diretrizes, no âmbito da covid, ainda estão sendo debatidas pela entidade, que deve emitir uma orientação, focada na situação emergencial de saúde, tal como fez o Conselho Federal de Medicina (CFM).

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