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Correio Braziliense

Rio de Janeiro: Médica é agredida por frequentadores de festa clandestina

No Facebook, Ticyana D'Azambujja contou que pediu para que parassem a festa e, "em um ato de desespero", chegou a quebrar o vidro do carro de um dos frequentadores do evento. A médica então foi desmaiada e espancada por várias pessoas


postado em 02/06/2020 21:00 / atualizado em 02/06/2020 21:38

(foto: Reprodução/Facebook)
(foto: Reprodução/Facebook)
A médica Ticyana D'Azambujja, moradora do Grajaú, na Zona Norte do Rio de Janeiro, usou seu perfil no Facebook para relatar que sofreu diversas agressões no sábado (30/5) após pedir para que uma festa clandestina parasse e, "em um momento de desespero", quebrar o vidro de um dos frequentadores do evento. Ela prestou depoimento na 20ª DP na segunda-feira (1º/6).

Na publicação, Ticyana conta que os moradores já haviam reclamado da Festa do Corona, como são batizados os eventos, "com som altíssimo e ensurdecedor", mas que a polícia não comparecia ao local. Então, no sábado (30/5), a médica teria um plantão à noite e precisava dormir um pouco de tarde, mas o barulho da festa continuava e tomou uma decisão “impensada”.

"Decidi descer e acabar com aquilo. Tomar uma atitude qualquer. Eu, do alto dos meus 1,50m e 46kg, pedi para que parassem a festa (estava lotadíssima, claro que isso nunca aconteceria). Então, num ato de exaustão e desespero, quebrei o retrovisor e trinquei o pára-brisas de um dos carros parados irregularmente na calçada, de um dos frequentadores da festa”, relata Ticyana.

A médica então conta que saiu correndo do local e foi seguida por cinco pessoas, que a desmaiaram antes das agressões. 

"Eles me agarraram em frente ao Hospital Italiano e me enforcaram até desmaiar. Eles me jogaram no chão e me chutaram. Quando retornei à consciência, gritava por docorro! Isso aconteceu no dia 30 de maio por volta de 17h, em plena luz do dia", desabafa.

Pedidos de socorro

Ticyana diz que gritava pedindo socorro para moradores do bairro enquanto os agressores levavam ela. "Os moradores do bairro passavam por mim, o segurança do hospital viu aquilo, as pessoas diminuíam a velocidade de seus veículos e só observavam. Eu pedia para que chamassem a polícia e alguém me ajudasse, por favor. Para que filmassem com um celular o que estava acontecendo, uma ajuda pelo amor de Deus. Mas ninguém veio."

A médica conta ainda que foi arrastada até o Corpo de Bombeiros e reclamou da omissão dos profissionais que viram a cena. Segundo ela, os bombeiros seriam amigos do dono onde a festa estava acontecendo.

Um vizinho de Ticyana também foi agredido ao tentar intervir. A médica teve o joelho esquerdo quebrado e as mãos pisoteadas. 

Após a chegada de três carros da polícia, a médica descobriu que o dono do carro que ela depredou também é policial. "Ele pegou sua carteira de policial e esfregou no meu nariz (literalmente) e me exigiu R$ 6,800 mil para me deixar em paz, decidiu não levar nada adiante”, conta.

Investigação

Em nota veiculada pelo portal G1, a Polícia Militar informou que policiais do 6º BPM foram 
acionados para verificar duas ocorrências a Rua Marechal Jofre, no Grajaú.

"Na primeira ocorrência, por volta das 17h, foi apurado no local que uma mulher, bastante nervosa, danificou um veículo estacionado e, em consequência desse ato, foi agredida por um homem ainda não identificado. Um outro homem, que tentou defender a mulher, também foi agredido. Vale ressaltar que, como consta do boletim de ocorrência da PM elaborado pela equipe no local, as partes entraram em comum acordo e não foi realizado o registro na delegacia".

Segundo o UOL, a Polícia Civil já identificou alguns dos frequentadores da festa. Entre eles, está o sargento Luiz Eduardo dos Santos Salgueiro, que atua no Batalhão de Choque, e é dono do carro depredado pela médica.
 
A Corregedoria da PM-RJ instaurou inquérito para apurar a participação do policial no episódio. 

O caso segue sendo investigado pela 20ª DP (Vila Isabel).

* Estagiário sob supervisão de Roberto Fonseca

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