Um protesto pela morte de Miguel Otávio Santana da Silva, de 5 anos, aconteceu ontem à tarde em frente ao condomínio Píer Maurício de Nassau, conhecido como “Torres Gêmeas”, no bairro de São José, área central do Recife, de onde o garoto caiu do 9º andar de um dos prédios. Os manifestantes pediam justiça e uma apuração isenta, já que a mãe da criança, a empregada doméstica Mirtes Renata de Souza, trabalha para o prefeito de Tamandaré, no litoral sul de Pernambuco, Sergio Hacker (PSB). Nos moldes dos protestos que têm varrido os Estados Unidos, pela morte der George Floyd, vários cartazes com dizeres contra o racismo foram vistos no ato, que reuniu centenas de pessoas.
A mulher do prefeito de Tamandaré, Sari Corte Real, responde em liberdade após pagar fiança de R$ 20 mil. Com a repercussão do caso, ela escreveu a Mirtes e pediu perdão: “Não tenho o direito de falar em dor, mas esse pesar, ainda que de forma incomparável, me acompanhará também pelo resto da vida. Estou sendo condenada pela opinião pública como historicamente outros foram. As redes sociais potencializam o ódio das pessoas. Tenho certeza que a Justiça esclarecerá a verdade”, afirmou.
Mirtes deu um depoimento emocionado ao programa Encontro, da Rede Globo, ontem. “Não estou conseguindo dormir neste quarto porque, quando deito na minha cama, olho para a cama do meu filho e vejo que não está aqui. A dor aumenta mais ainda. Eu não vou ter mais meu neguinho comigo, meu filho não vai mais dormir comigo”, lamentou. Ela contou que só foi ter acesso ao vídeo no qual a patroa permite que o menino fique sozinho no elevador após o velório.
Segundo a Polícia Civil, Miguel caiu do prédio onde moram Sari e Hacker. Ao desembarcar no 9º andar, o menino despencou de uma área sem tela de proteção. Naquele momento, Mirtes passeava com o cachorro da patroa.
Comissionada
Ao mesmo tempo, Hacker pode responder por crime de responsabilidade no caso da morte de Miguel Otávio da Silva, de cinco anos, que caiu do 9º andar de um prédio no Recife, na terça-feira. A empregada doméstica Mirtes Renata de Souza, mãe do garoto que trabalhava para Sari Corte Real, mulher do prefeito, está cadastrada no Portal de Transparência de Tamandaré, desde 1º de fevereiro de 2017, como servidora pública da prefeitura. Consta que a funcionária exercia cargo comissionado (sem carga horária específica) de gerente de divisão, locada na Manutenção das Atividades de Administração da cidade. O pagamento seria equivalente a um salário mínimo. Porém, Mirtes disse que não sabia do cargo e trabalhava apenas na casa dos patrões.
O Tribunal de Contas do Estado informou, ontem, que vai instaurar auditoria especial. “Após a fiscalização, constatada a veracidade dos fatos, o gestor poderá ser implicado em crime de responsabilidade e infração político-administrativa”, afirma em nota. O TCE explicou que o prefeito e possíveis pessoas implicadas devem ressarcir os cofres públicos, caso se confirme a ilegalidade no pagamento.
Sobre a nomeação da mãe de Miguel a um cargo na prefeitura, o TCE esclareceu que “o caso do vínculo da sra. Mirtes Renata Santana de Souza, e outras pessoas, com a prefeitura de Tamandaré está sendo apurado pelo TCE-PE por meio de uma auditoria especial”.
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