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Vazamento em tanque contaminou cervejas da Backer, diz Polícia Civil

Dietilenoglicol, substância ligada aos casos de síndrome nefroneural manifestados em pessoas que consumiram a cerveja, vazou em tanque

Cristiane Silva/Estado de Minas, Larissa Ricci - Estado de Minas
postado em 09/06/2020 10:47
Polícia investigou situação dos tanques da Backer, principal suspeita de ter contaminado ao menos 42 pessoas.Um vazamento liberou dietilenoglicol nas cervejas produzidas pela Backer. Cinco meses depois, foi essa a conclusão da Polícia Civil de Minas Gerais ao investigar os casos da síndrome nefroneural, doença provocada pela ingestão da substância tóxica. Os resultados foram apresentados nesta terça-feira no auditório do Departamento de Trânsito (Detran), em Belo Horizonte.

O resultado do inquérito foi apresentado pelo delegado Flávio Grossi, à frente dos trabalhos, e o superintendente de Polícia Técnico-Científica, o médico-legista Thales Bittencourt.

Veja a coletiva da Polícia Civil

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Flávio Grossi explicou que a apuração foi multiprofissional, envolvendo químicos, engenheiros e peritos. Primeiro, foi preciso entender como a cerveja é feita. ;O malte é levado para um processo que leva o mosto. O mosto é resfriado e é levado por tubulações ao tanque. O tanque é resfriado com líquido anticongelante e, posteriomente, embalado para consumo. Ele resfria os tanques de forma que não haja vazamento: é uma grande geladeira chamada de chiller;, detalhou.

O vazamento que contaminou as cervejas foi identificado justamente no chiller. ;O líquido jorrava e se misturava com a cerveja;, informou. ;Além do vazamento do chiller, havia outros pontos de vazamentos pela fábrica;. Em janeiro, a Polícia Civil já havia constatado a presença do dietilenoglicol no chiller.

[SAIBAMAIS]Pelo menos 42 pessoas intoxicadas por dietilenoglicol, sendo que nove delas morreram. Ainda que a incidência maior tenha sido a partir de dezembro de 2019, foram investigados casos de meados de 2018 ao início de 2020.

Onze pessoas serão indiciadas por lesão corporal, homicídio e intoxicação, segundo a Polícia Civil.

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