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100 anos de Carlos Castello Branco: jornalista é homenageado com debate

Considerado um dos grandes jornalistas de política do país, Castelinho também é imortal da Academia Brasileira de Letras e foi presidente do Sindicato dos Jornalistas

Thays Martins
postado em 25/06/2020 15:07

jornalista Carlos Castello Branco fumando um cigarroHá exatamente 100 anos nascia Carlos Castello Branco. O Castelinho, como era conhecido, se tornaria um dos grandes jornalistas políticos do país e um dos maiores colunistas. Nascido em 25 de junho de 1920 em Teresina (PI) e filho do desembargador Christino Castello Branco e de Dulcilla Santana Branco, Castelinho teve passagens pelo Diários Associados, Diário Carioca e na revista O Cruzeiro, além do Jornal do Brasil. Morreu em 1; de junho de 1993, no Rio de Janeiro.

No JB, ficou responsável pela "Coluna do Castello" uma das mais famosas do jornal, por 31 anos. Os textos estão disponíveis em acervo on-line feito pela família. Durante a ditadura militar foi preso em dezembro de 1968, logo após a decretação do Ato Institucional n.; 5, considerado o período mais agressivo do regime. Voltou a escrever a coluna em janeiro de 1969. Em 1975, publicou Introdução à Revolução de 1964 que reuniu seus textos.

Carlos Castello Branco também foi presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do DF, cargo que exerceu entre 1976 e 1981. Hoje o prédio da instituição leva seu nome em homenagem à defesa da categoria durante os anos da Ditadura Militar. E em 1982 o jornalista foi eleito para a cadeira n.; 34 da Academia Brasileira de Letras. Além disso, ocupou o cargo de secretário de imprensa no breve governo de Jânio Quadros. Recebeu também o Prêmio Mergenthaler, de liberdade de imprensa; o Prêmio Nereu Ramos de jornalismo, dado pela Universidade de Santa Catarina; e o Prêmio Almirante, na área de jornalismo.

De acordo com o neto dele, o professor Mateus Catello Branco, Castelinho deixa um exemplo para o jornalismo do Brasil. "O exemplo de integridade e caráter que inspira a todos que o conheceram e, na profissão de repórter político, a relevante obra para o jornalismo e história do país no século XX", explica.

"Ser neto do Castelinho significa ter tido o privilégio, desde cedo, de perceber a complexidade de estar inserido num universo familiar ímpar que se confundia com a então história recente do país", completa.

Homenagens

Nesta quinta-feira (25/6), o que não faltam são hpmenagens ao profissional. O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal e a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) organizaram um debate virtual com o tema Jornalismo e Democracia. Entre os convidados estão o neto do jornalista, o professor Carlos Mateus Castello Branco, e os jornalistas Hélio Doyle, diretor da ABI em Brasília, e Armando Sobral Rollemberg, ex-presidente da Fenaj e colega de Castelinho no Jornal do Brasil. A homenagem e o debate serão transmitidos nos perfis do facebook, twitter e Youtube do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do DF. O facebook da ABItambém fará a transmissão, que começa às 21h.

Considerado um dos grandes jornalistas de política do país, Castelinho também é imortal da Academia Brasileira de Letras e foi presidente do Sindicato dos Jornalistas

Na internet, também é possível conferir homenagem feita pela família ao grande jornalista. Lá estão recados deixados por pessoas que fizeram parte da vida do jornalista. "Sabia como ninguém andar sobre um fio de navalha. Por sua independência de pensamento e por essa arte de observar a política com isenção, sem se deixar contaminar pelas paixões partidárias, ele continua muito atual, nesses tempos de ódio e intolerância", escreveu o jornalista Zuenir Ventura.

"Suas crônicas, sempre muito pertinentes, sempre muito cuidadosas, sempre muito respeitosas, tanto com os objetos das análises que fazia quanto com o idioma, o modo de dizer, o modo de escrever. Daquela minha época, na época da minha formação, como cidadão, não me lembro de nenhum outro mais do que me lembro de Castelinho", lembrou Gilberto Gil.

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