Brasil

Ação de Bolsonaro diante da covid-19 foi um "desastre", diz prefeito de BH

O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, disse que postura negacionista do presidente Jair Bolsonaro piorou a situação e elevou os gastos públicos no combate ao novo coronavírus

Gabriel Ronan/Estado de Minas, Maria Irenilda Pereira/Estado de Minas, Fred Bottrel/Estado de Minas, Jorge Lopes/Estado de MInas, Bertha Maakaroun/Estado de Minas, Bruno Furtado/Estado de Minas, Guilherme Peixoto/Estado de Minas
postado em 01/07/2020 19:15
Alexandre Kalil, prefeito de BH, fala sobre Bolsonaro e covid-19O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), classificou como um "desastre" a postura do presidente Jair Bolsonaro de negar a gravidade da pandemia de covid-19. "O negativismo foi um desastre para o Brasil", afirmou Kalil em entrevista publicada pelo Estado de Minas nesta quarta-feira (1;/7).

Na visão do chefe do Executivo da capital mineira, os pensamentos negacionistas de Bolsonaro geraram mais despesas aos cofres públicos federais. "Agora, tem que derramar trilhões por conta de uma ;gripezinha; que não é uma ;gripezinha;. Se fosse, não haveria toda essa despesa;, salientou, referindo-se ao fato de Bolsonaro ter-se referido à covid-19 como uma "gripezinha", em maço passado.

Segundo Kalil, a decisão do Supremo Tribunal (STF), que deu autonomia aos estados e municípios para tomar medidas de contenção do vírus, é fruto da postura presidencial. ;O presidente Bolsonaro fez muita falta à população do Brasil, aos prefeitos e governadores. A liderança nacional fez muita falta. É uma postura, me parece, única no mundo. Tanto que a decisão do Supremo (Tribunal Federal), de ;cada um por si e Deus por todos;, veio por esse negativismo;, afirmou.

Assim como fez em meados de junho, durante outra entrevista ao EM, Kalil destacou que assume a responsabilidade pelas determinações vigentes na capital mineira.

Polêmicas prejudicaram isolamento

Para Kalil, justamente a ausência de uma ;liderança nacional; fez com que as medidas restritivas tomadas por governadores e prefeitos perdessem força. Se houvesse adesão da União, projeta, a quarentena teria sido mais eficaz em todo o território nacional.

;O distanciamento social seria mais sério. Teríamos presidente, prefeitos e governadores falando a mesma coisa. Uma linha (de pensamento) só, no Brasil inteiro, e já teríamos passado por isso;.


"Compromisso com o erro"

Ainda segundo o prefeito de BH, Bolsonaro piorou a situação ao não tentar corrigir os equívocos cometidos.

[SAIBAMAIS];O presidente teve o compromisso com o erro. E, como o Juscelino Kubitschek dizia, não temos compromisso com o erro. Errou? Volte atrás;, avaliou.

O número de óbitos em virtude da infecção agrava o cenário. ;Ele errou. E errou feio. E, agora, está gastando uma fábula. Se ele assumisse a liderança firme do país, talvez tivesse gasto a metade do dinheiro que gastou, está gastando e vai gastar. É um erro duplo. Está fazendo, agora, um trabalho enorme, que tem que ser reconhecido como despesa gigantesca para o país e, de repente, se calou. Diante de (quase) 60 mil mortes, não há argumento que aguente;, pontuou.

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