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Brasil segue sem previsão de queda em números da covid-19, que matou 60 mil

Julho começa com 46.712 atingidos em 24 horas, o terceiro maior aumento diário, e se aproxima de 1,5 milhão de casos. Ministério da Saúde reconhece crescimento da curva de novas infecções, mas estima que Brasil atingiu platô nas mortes

Maria Eduarda Cardim, Bruna Lima
postado em 02/07/2020 06:00
No Rio, a imagem de Cristo homenageia os milhares de brasileiros que perderam a vida pela doença no país; houve missa no Santuário do RedentorApós quatro meses de luta contra o novo coronavírus e 60 mil vidas perdidas para a covid-19, o Brasil iniciou julho sem uma real perspectiva de queda na curva de casos da doença. Ao avaliar os números de infecções por semana epidemiológica, é possível notar um aumento no último período. O país continua a registrar números altos diariamente. Ontem, confirmaram-se mais 46.712 infecções, o terceiro maior aumento diário, e 1.038 mortes. O país chegou a 1.448.753 casos do novo coronavírus e 60.632 vítimas da doença.

Em coletiva de imprensa, o Ministério da Saúde avaliou que o Brasil vê um crescimento da curva em relação aos números de novas infecções. Da 25; para a 26; semana epidemiológica, esse indicador cresceu 13%. No entanto, o aumento foi proporcionalmente menor do que o observado da 24; para a 25;, de 22%. No recorte por regiões do país, observa-se que todas confirmaram um aumento de casos na última semana epidemiológica avaliada. A Região Sul relatou o maior crescimento, de 47%. Por outro lado, segundo a pasta, o Brasil vive um platô na curva de mortes em função da covid-19, termo utilizado pelas autoridades de saúde quando há uma estabilização da evolução dos índices.

Houve uma pequena redução de 2% ao comparar os óbitos confirmados entre a 25; e a 26; semana. A queda foi puxada pela baixa no registro de mortes nas regiões Norte e Nordeste que, respectivamente, apresentaram redução de 15% e 11%. ;Há um comportamento de um platô do número de óbitos, que a gente já tinha falado;, afirmou o secretário de Vigilância em Saúde, Arnaldo Correia.

Ao ser questionado se o Ministério da Saúde orientará medidas de restrição mais intensas aos estados diante do aumento de casos, Correia disse que isso não é papel da pasta. ;Com relação a orientar a tomar decisão de restrição ou não, não cabe ao Ministério da Saúde, mas ao gestor local. Nós iremos dar suporte e o apoio necessário em cima da decisão tomada pelo gestor;, indicou.

Interiorização
Com o avanço da interiorização da epidemia, 5.021 dos municípios, ou seja, 90,1%, têm, pelo menos, um caso de covid-19 registrado. Quando o recorte são as cidades que já confirmaram óbitos pela doença, a porcentagem cai, mas ainda chama atenção. Quase metade dos municípios, 45,8%, já confirmou ao menos uma morte.

Apesar da diversidade de características das curvas de casos e óbitos por região, os técnicos do ministério observaram que há a tendência de migração de aumento para o interior em todas. ;A distribuição de casos de covid nas capitais vem diminuindo gradativamente e consistentemente, ao passo que está aumentando no interior;, afirmou o secretário de Vigilância em Saúde.

Estados
São Paulo bateu sozinho a marca de 15 mil mortes, um quarto do montante brasileiro. O estado possui 289.935 casos confirmados. Com o avanço do vírus no território brasileiro, mais duas unidades federativas entraram para o rol de mais de mil perdas para a doença. Minas Gerais, com 1.007; e Paraíba, com 1.002. Também pertencem ao grupo: Rio de Janeiro (10.198), Ceará (6.180), Pará (4.960), Pernambuco (4.894), Amazonas (2.843), Maranhão (2.081), Bahia (1.902) e Espírito Santo (1.693). No Brasil, apenas Mato Grosso do Sul tem menos de 200 óbitos: são 85 mortes até o momento.

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