Brasil

Cerrado tem condições de dobrar área de trigo no Brasil, diz Embrapa

Para Celso Moretti, presidente da empresa, há potencial no Cerrado para tornar o Brasil autossuficiente na produção de trigo

Israel Medeiros*
postado em 03/07/2020 16:14
Celso MorettiO Cerrado brasileiro pode dobrar a área de produção de trigo no país. É o que afirma Celso Moretti, presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Em entrevista ao CB.Agro ; uma produção do Correio Braziliense em parceria com a TV Brasília ;, nesta sexta-feira (3/7), ele contou que a empresa tem desenvolvido variedades de trigo adaptadas ao clima seco e árido da região central do país. Isso permitiria um crescimento expressivo na área plantada.

"A Embrapa atua em todos os biomas brasileiros e, ao longo dos últimos anos, tem desenvolvido variedades de trigo adaptadas ao Cerrado. Além de ser adaptado, tem o teor de proteína que é quase o dobro do que é produzido em outras regiões do Brasil. O país hoje produz em 200 mil hectares do Cerrado. Nós temos aproximadamente 2 milhões de hectares de trigo em todo o país, mas, só no Cerrado, temos oportunidade de dobrar a área de trigo nacional. Ou seja, podemos ser autossuficientes em trigo", destacou.

Moretti também falou sobre a bioeconomia (modelo de produção industrial baseado no uso de recursos biológicos) e afirmou que a modalidade é uma das prioridades da Embrapa para o biênio 2020/2021. Para ele, a exploração da área que compreende a Floresta Amazônica deve ser feita de forma sustentável. "Um exemplo disso é a redução de pesticidas na agricultura brasileira, identificando compostos oriundos da Amazônia que funcionem como biopesticidas, podendo substituir pesticidas convencionais. Pode-se descobrir resinas que contribuam para a indústria farmacêutica. A Embrapa vem desenvolvendo uma agenda robusta na bioeconomia", afirmou.

O presidente da Embrapa defendeu também que a exploração sustentável é a chave para preservar a rica diversidade natural da Amazônia, que ele considera que tem mais valor de pé do que cortada. "Acreditamos que a agenda da bioeconomia pode dar sustentabilidade e uma qualidade de vida para as 24 milhões de pessoas que vivem ali na Amazônia."

Perguntado sobre a eventual redução de orçamento para a empresa devido à crise causada pela pandemia do novo coronavírus e o impacto nas contas públicas, Celso Moretti afirmou que, até o momento, os investimentos continuam inalterados. Mas sabe-se que a possibilidade de diminuição de recursos existe.

"Nós imaginamos que em algum momento vamos precisar fazer ajuste no nosso orçamento. Até o presente momento, não recebemos nenhuma sinalização de redução. Com o apoio da ministra Tereza Cristina e do Congresso Nacional, o orçamento de 2020 da Embrapa foi praticamente confirmado como o mesmo de 2019. Mas nós entendemos que, obviamente, tendo em vista os problemas enfrentados no Brasil, alguns ajustes serão necessários", completou.

Assista à íntegra da entrevista:

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Ouça a entrevista em formato podcast:

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*Estagiário sob a supervisão de Fernando Jordão

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