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Correio Braziliense

Mulher que humilhou fiscal se defende: 'Frase ficou descontextualizada'

''Sei que tenho tom de voz alta, tenho sangue italiano, e, às vezes, se torna agressivo no calor da emoção'', afirmou Nívea Valle


postado em 09/07/2020 15:08

(foto: Reprodução/TV Globo)
(foto: Reprodução/TV Globo)
Nívea Valle Del Maestro, a mulher que ficou conhecida após aparecer em reportagem do Fantástico, da TV Globo, dizendo a um fiscal da Prefeitura do Rio de Janeiro que o marido dela era "engenheiro civil, formado, melhor do que você", concedeu entrevista ao portal G1, nesta quinta-feira (9/7), e disse que a frase ficou descontextualizada.

"Minha frase ficou descontextualizada. Sei que tenho tom de voz alta, tenho sangue italiano, e, às vezes, se torna agressivo no calor da emoção. Mas em momento algum eu desacatei ou quis diminuir o rapaz", afirmou. “Nunca vou me arrepender de questionar. Talvez eu possa reconhecer que houve um excesso que, descontextualizado, ficou ainda pior. Dentro do contexto, nem acredito que tenha acontecido tanto excesso assim. Mas realmente, eu quando olho aquela cena fico com raiva daquela mulher. Não é possível que uma pessoa, do nada, aja daquela maneira. Mas não foi do nada. Existe um contexto, existe uma história. Existem atos antes e depois”, acrescentou.

Nívea, que perdeu o emprego após o episódio, ainda disse que ela e o marido, Leonardo Santos Neves de Barros, estão sendo "condenados sem direito de defesa": "Nossa vida acabou. Perdemos nossos empregos e estamos sendo achincalhados. Estou recebendo ameaças por telefone e todos os nossos dados pessoais foram parar na internet. Os efeitos que isso causou na gente são desproporcionais. Há um linchamento virtual, todas as mensagens que recebo no celular de pessoas me agredindo. A coisa chegou a um nível no qual, além de perdermos nossos empregos, querem que não trabalhemos nunca mais. O que querem mais? Querem que a gente morra?”".

O episódio

Nívea e Leonardo estavam em um bar que, pelas imagens, parecia registrar aglomeração, quando foram abordados pelo superintendente de Educação da Subsecretaria de Vigilância, Fiscalização Sanitária e Controle de Zoonoses da cidade do Rio de Janeiro, Flávio Graça. Enquanto o homem registrava o diálogo com o celular, a mulher começou a ofender o fiscal, dizendo, entre outras coisas, que pagava o salário dele e que o marido não era cidadão, mas, sim, "engenheiro civil, formado, melhor do que você".
 
 

Na entrevista ao G1, Leonardo disse que o bar estava respeitando as regras de distanciamento. "Questionei por que deveríamos sair dali. Queria saber como ele sabia que ali havia duzentas pessoas. Eu só queria permanecer no bar. Quero ter o direito de chegar ao ente público e questioná-lo", rebateu.

Depois da exibição da reportagem do Fantástico, Flávio Graça também se manifestou e disse que não se desestabilizava com as ofensas e que entendia que os ataques não eram pessoais, mas contra o Estado, o poder público e a lei por ele representados. Professor, com mestrado e doutorado, Graça ainda explicou que usa nas ruas algumas técnicas aplicadas em sala de aula: "Dou aula há mais de 20 anos, convivo com os jovens, e a gente sabe que tem algumas situações que você tem que mostrar sua autoridade, mas sem se trocar com as pessoas".

Auxílio emergencial

Diante da repercussão do caso, internautas vasculharam a vida do casal e constaram que Leonardo havia solicitado o auxílio emergencial de R$ 600, o que ele confirma: "Eu fiquei desempregado durante alguns meses. Resolvi me inscrever no auxílio da pandemia para ter alguma renda para pagar a pensão do meu filho, que é de um relacionamento anterior. Assim que voltei a trabalhar, cancelei a inscrição".

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