Brasil

Cacique Raoni se encontra "estável" após receber transfusão de sangue

Líder indígena apresentou primeiros sintomas após a morte da esposa, no fim de junho; exames para detecção da Covid-19 deram negativo

Agência France-Presse
postado em 19/07/2020 20:33
Líder indígena cacique Raoni Metuktire O emblemático cacique Raoni Metuktire, de 90 anos, se encontra "estável" após receber uma transfusão de sangue em um hospital do Mato Grosso, onde permanece internado, informou neste domingo (19/7) seu instituto.

O chefe da etnia Kayapó está hospitalizado desde quinta-feira, quando foi levado de sua aldeia para um hospital com sintomas de fraqueza, falta de ar, falta de apetite e diarreia.

"O cacique apresenta um quadro estável, depois de ter recebido uma transfusão de sangue", e exames estão sendo feitos para determinar a natureza do "sangramento digestivo", suspeito de estar provocando o mal-estar, informou neste domingo o Instituto Raoni.

Os testes de detecção da COVID-19 realizados em Raoni deram negativo, havia informado o hospital da pequena cidade de Colíder, a 630 km de Cuiabá, para onde o cacique foi levado inicialmente.

Após um agravamento de seu quadro no sábado -com alta em sua anemia e uma degradação das funções renais-, Raoni foi transferido para um hospital de Sinop, com melhor infraestrutura para exames e unidade de tratamento intensivo, como precaução para uma eventual piora do estado clínico.

Morte da esposa

Os sintomas do líder indígena apareceram pela primeira vez após a morte da esposa, Bekwyjka, no fim de junho.

O falecimento da esposa, que esteve ao seu lado por mais de seis décadas e foi vítima de um derrame cerebral, deixaram Raoni emocionalmente fragilizado, de acordo com relatos familiares à ONG francesa Plan;te Amazone, que coordena a campanha internacional do cacique.

Representante idígena

Famoso pelos coloridos cocares de plumas e o grande disco inserido no lábio inferior, Raoni viajou o mundo nas últimas décadas para aumentar a consciência sobre a ameaça que a destruição da Amazônia representa para os povos indígenas.

Desde que o presidente Jair Bolsonoro assumiu o poder, em janeiro de 2019, Raoni redobrou as denúncias de ataques contra os povos nativos do Brasil.

Pandemia

Em entrevista recente concedida à AFP, Raoni afirmou que Bolsonaro quer "se aproveitar" da pandemia para impulsionar projetos que ameaçam os povos indígenas, que têm um histórico de vulnerabilidade a doenças externas.

[SAIBAMAIS]Mais de 16.000 indígenas foram contaminados e 535 morreram por causa do novo coronavírus no Brasil, segundo a Articulação de Povos Indígenas do Brasil (APIB). Os dados causam temor entre os cerca de 900.000 indígenas que vivem em diferentes regiões do Brasil.

Outro líder indígena emblemático do país, o chefe Paulinho Paiakan, morreu em junho depois de ser contaminado pela COVID-19.

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