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Enfermeiros protestam por melhores condições de trabalho e EPIs em Recife

Maior temor é por uma nova onda de contaminação por covid-19 no estado, já que enfermeiros e técnicos foram muito afetados, afirma diretora do sindicado da categoria

Diário de Pernambuco
postado em 31/07/2020 13:34
Manifestação foi organizada pelo sindicato da categoria e ocorreu no centro da capital pernambucana O Sindicato dos Enfermeiros do Estado de Pernambuco (SEEP) realizou um protesto na manhã desta sexta-feira (31), no bairro do Derby, no Centro do Recife. A categoria pede melhores condições de trabalho, garantia de Equipamento de Proteção Individual (EPI), gratificação de plantão noturno e insalubridade máxima, diante da pandemia.

O grupo se concentrou na Praça do Derby e chamou a atenção de pedestres e motoristas erguendo cartazes pedindo valorização do trabalho. ;Tememos por uma nova onda da Covid-19. Os enfermeiros e técnicos de enfermagem foram muito afetados durante a pandemia e o adormecimento acometeu muito a categoria por falta de estrutura e EPIs suficientes;, comenta a diretora do SEEP, Carmela Alves.

[SAIBAMAIS] Trabalhando na linha de frente da pandemia, os profissionais que trabalham nos hospitais estaduais não recebem insalubridade, nem adicional noturno e estão há 15 anos sem reajuste salarial. Ao todo, 18.894 profissionais da saúde já foram diagnosticados com Covid-19 em todo o estado. De acordo com o SEEP, o governo não recebe a categoria para negociar há cerca de um ano, antes mesmo dos primeiros casos de Covid-19 chegarem em Pernambuco.

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"Trabalho como enfermeira há 30 anos. Vou me aposentar no final desse ano sem gratificação, com um salário vergonhoso", comenta Milena Brito, de 55 anos. De acordo com o Sindicato, o salário base de um enfermeiro no início da carreira é de cerca de R$ 1,5 mil e de um técnico de enfermagem não chega nem a um salário mínimo, sendo pouco mais de R$ 700.

Em resposta, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) informou que tem abastecido a rede com os equipamentos de proteção individual (EPIs) para os trabalhadores da saúde. "A SES tem monitorado permanentemente os estoques e destaca que não houve falta crônica de nenhum EPI durante todo o processo", informou o órgão, através de nota.

As direções das unidades ainda fazem um trabalho de conscientização dos seus profissionais sobre o uso adequado e oportuno dos equipamentos. Todos os profissionais estão sendo orientados quanto às regras citadas e, inclusive, são convidados a participar de capacitações periódicas realizadas pelas Comissões de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) das unidades sobre o assunto.

É importante destacar que o uso adequado dos EPIs busca evitar o desperdício dos equipamentos e o desabastecimento desses itens nos serviços de saúde. Independentemente da circulação da Covid-19, os serviços já seguem protocolos padrões para uso de EPIs, como durante a realização de procedimentos cirúrgicos e em casos de risco de exposição a fluidos biológicos.

Desde 2015 mais de 10 mil profissionais concursados de diferentes categorias foram nomeados pelo Governo de Pernambuco nos hospitais estaduais. Desse total, mais de 3 mil foram chamados para atuar no atendimento aos pacientes da Covid-19.

A respeito dos salários da categoria, a SES informou que os enfermeiros já recebem insalubridade incorporada ao vencimento base desde 2006, a pedido da própria categoria. Já a Avaliação de Desempenho para o Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV), que foi iniciada para todos os servidores da Saúde, resultou em um aumento no salário base de 5% no primeiro ano e de 2,5% nos anos subsequentes, para os servidores que foram bem avaliados no processo.

De acordo com a Secretaria, os enfermeiros já recebem insalubridade incorporada ao vencimento base desde 2006, a pedido da própria categoria. Por fim, a SES-PE destaca que mantém o diálogo constante com os servidores estaduais para deliberar sobre as questões apresentadas pelas categorias.

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