Câmbio Negro colocou Ceilândia no mapa do rap

Ceilândia Revanche do Gueto é um grito de amor à cidade satélite

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postado em 09/04/2013 17:00 / atualizado em 10/04/2013 13:21

Crédito: Mila Petrillo/Divulgação

Ceilândia Revanche do Gueto é um dos gritos de Alexandre dos Santos, o X, contra a opressão e a indiferença. Líder do Câmbio Negro, uma das primeiras bandas de rap do Brasil, X misturou o rock de Brasília com o rap que também surgia em São Paulo e com sons americanos, como o do Public Enemy. A banda foi considerada inovadora no cenário nacional e internacional por juntar elementos do break e hip hop com o rock pesado e bases de funk e soul.

 

O cantor é um brasiliense orgulhoso. X nasceu no Hospital de Base e declara seu amor a Ceilândia: “Nasci para ela e ela para mim”.

 

Apesar da sonoridade importada dos EUA, o rap brasileiro conseguiu ter cara própria ao expor os problemas de uma população esquecida. Em Brasília, o sentimento era ainda maior pois a distância entre a periferia e o centro do poder contribui para aumentar ainda mais o abismo social e cultural. “Mais de 500 mil/ E pra eles, somo lixo/ Lutando para sobreviver/ E tratados como bichos”, diz X na letra de Ceilândia Revanche do Gueto.


O rapper gravou três discos com o Câmbio Negro, banda seminal do movimento hip hop no Brasil. O grupo surgiu em 1990 e encerrou as atividades em 2000, com a saída de X. O estilo musical teve grande força no País no final dos anos 90 e trouxe a periferia para os holofotes. Destacaram-se também o brasiliense Gog, e os paulistanos Racionais e Thaíde.  Além das músicas que falavam de problemas sociais sem apelações, X lutou pela conscientização política dos jovens. Começou no Hip Hop em 1983 dançando Break e engajou-se em campanhas pela educação e contra as drogas.

 

Participe

Faça como o Câmbio Negro e solte a sua voz e sua cabeça. O Correio Braziliense faz uma homenagem aos 53 anos da cidade e quer ouvir o que os novos compositores e artistas tem a dizer sobre ela. O jornal lança o concurso cultural Canta, Brasília, que vai premiar a canção que melhor represente a grande aniversariante.

Para se inscrever, os participantes devem se inscrever no site do concurso no link www.correiobraziliense.com.br/canta-brasilia e mandar um vídeo com duração de uma a quatro minutos, com a letra original sobre Brasília de autoria própria ou de terceiro que tenha cedido os direitos autorais. Leia todo o regulamento na página do concurso e confira todos os requisitos.

Os vencedores serão escolhidos por uma comissão de representantes do Diários Associados, após votação do público, que elegerá cinco finalistas. Os prêmios são: uma guitarra da fabricante norte americana Fender, oito horas de gravação em estúdio, 30 segundos de veiculação da música vencedora nos intervalos da rádio Clube FM, bem como a publicação da íntegra da letra no caderno especial do aniversário de Brasília. Não dá para perder!

 

Ouça a música

 

 

Conheça a letra da música

 

Ceilândia Revanche do Gueto

 

"Ceilândia ceilândia
Ceilândia ceilândia

Respeito todas as quebradas becos e vielas
Quebras cabulosas satélites e qualquer favela
Todas se parecem muito só que a cei é diferente
Na nossa quebrada a parada é mais quente
Mais de 500 mil e pra eles somos lixo
Lutando pra sobreviver tratados como bichos
Escrotos ratos de esgotos vermes rastejantes
Cobras bichos peçonhentos monstros repugnantes
Terra sem lei nova babel casa do caralho
Cu do mundo baixa da égua
Foda-se o que dizem véi
Ceilândia é minha quebra
Movimento aos sábados em frente ao quarteirão
Df zulu ta na barca e aí moleque então
Domingo tem feira roda de capoeira
Meia lua queixada bença armada
Mortal martelo rodado "s" dobrado rasteira
Pernas subindo suor descendo molhando o asfalto
E o berimbau fala alto
Sou da ceilândia eu sou mais eu
Falo faço e aconteço
Por essa terra tenho apreço
Essa é minha quebrada não pega nada
Câmbio negro ta na área falando sem embaraço
Se o bicho pega pro seu lado colega véi um abraço
Agora sim:
Com o passar dos tempos a periferia passa a ter voz
Não que não houvesse no passado só que nos bboys
Éramos mais oprimidos que na atualidade
Seguindo em frente rap nacional é a revanche do gueto
X diz a verdade
Na hora grande é a hora em que tudo acontece
Mau ta solto na rua a mortalidade cresce

Criança jovem ou velho quase ninguém vê as caras
Não adianta chorara na hora de ir pra vala
Chuva de balas confronto polícia e ladrão
Irmão matando irmão
Prostitutas na esquinas churrasquinho de gato
A boca na rua de baixo
Moleque troca o ferro pelo fumo barato
Cana recebe seu troco
Pra manter o puteiro aberto e é certo
Semana que vem ta na área de novo
Paparicando o cafetão e babando o seu ovo
Assim é a minha quebrada pontos bons e ruins enfim
Aqui é assim gosto mesmo assim
Nasci pra ela e ela pra mim
Ceilândia
Mesmo que muitos considerem parada indigesta
Pra quem sobrevive na bocada véi todo dia é festa

Skatitas e bikers voam no radical
Curtem gog racionais thaíde câmbio negro normal
Cirurgia moral morte cerebral
Reverso da moeda revanche do gueto
Amarelos brancos negros ou pretos
Lado sujo da história porco na engorda síndrome de caim
Moleque de atitude te boda
Ceilândia, você é foda!!!"

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