Um telefone é muito pouco está mais atual do que nunca

"Vai-se ao Gama sem precisar sair de casa", diz Renato Matos. Criador incansável, ele prepara um novo livro-CD-DVD e irá participar do concurso Canta Brasília

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postado em 10/04/2013 12:23 / atualizado em 10/04/2013 13:28

	15/12/2012. Crédito: Iano Andrade/CB/D.A Press. Brasil. Brasília - DF. s.

Se mesmo hoje, com a conectividade proporcionada pelos celulares, o contato humano é insubstituível, imagine nos idos dos anos 70, quando Brasília parecia ainda mais distante de suas satélites? Foi em 1977 que o baiano com alma brasiliense, Renato Matos, cantou: "Um telefone é muito pouco/ Pra quem ama como louco/ E mora no Plano Piloto/ Se a menina que o cara ama/ Tá pra lá do Gama, mata de desgosto/ E ele fica dentro do pijama/ Em cima da cama comendo biscoito". Sintetizou a distância geográfica e afetiva particular do brasiliense e marcou a história musical da cidade.



"É uma música mais política do que romântica, é político-geográfica", explica Matos. Para ele, ao invés de diminuir, a distância aumentou. "Antes as pessoas saíam na janela, hoje o facebook não deixa", analisa. Atualmente os brasilienses ficam ainda mais "dentro do pijama" com as facilidades da internet. "Vai-se ao Gama sem precisar sair em casa".

Ao Correio, Renato já esclareceu, sem pudores, que a letra foi dedicada a uma paixão improvável: "Naquele tempo, próximo ao Gama, havia um bordel que reunia várias edificações e era chamado de As Casas. Muita gente saía do Plano Piloto e ia para lá encontrar as damas da noite. Conheci uma delas, por quem me apaixonei. Devido à distância, era complicado falar com Michele. Por vezes, quando conseguia uma ligação, ela não podia atender, não estava disponível", recorda-se. "Michele foi a musa inspiradora da música que entrou para o imaginário do brasiliense". Apresentada ao público no final dos anos 70, Um telefone é muito pouco foi gravada em 1981, em um compacto que tinha do outro lado a faixa Guará I e II via Eixo.

Conhecido como "pai do reggae" de Brasília, Renato Matos abriu as apresentações musicais do Concerto Cabeças, evento que movimento a cena artística de Brasília nas décadas de 70 e 80. "E toquei quase em todos", lembra Matos. As apresentações mensais que reuniam música, teatro, dança, artes plásticas trouxeram artistas de todo o Brasil que se apresentavam ao ar livre. Em um desses encontros, Matos conheceu Cássia Eller, com quem veio a ser parceiro musical (tocando, inclusive, Um telefone). Idealizado por Néio Lúcio Barreto, o Cabeças começou nos gramados da 311 sul e, com o sucesso, tornou-se itinerante. O autor do plano urbanístico de Brasília, Lúcio Costa, exaltou o evento: "Enquanto os maiorais, confinados nas suas monumentais redomas, brincam de administração e política, no ar livre das quadras e das áreas de vizinhança, estes bons samaritanos ensinam os usuários da cidade a vivê-la".

Matos fez muitas viagens ao exterior, onde foi reconhecido por suas experiências com sons bem brasileiros, mas não esqueceu de Brasília. Sua produção traz referências diretas à cidade, como os discos Grande Circular, de 1980, e Plano Piloto, de 2005 e músicas como Caminhando por Brasília, Chorinho do Beirute, Menina do parque, e Rodofernália, poema de Nicolas Behr, musicado por ele. "Sou candango, sim", disse ao Correio. Matos recebeu a medalha "Cavaleiro em Honra ao Mérito" e foi nomeado "Comendador da Ordem do Mérito Cultural" do Distrito Federal.

Renato está produzindo o livro de poesias Palindrimas, mistura de palíndromos com rimas, que sairá junto de um CD com as poesias musicais. Além disso, será lançado um DVD que trará 50 poetas nacionais declamando poesias do mesmo livro. A produção teve apoio do FAC e o lançamento deve ocorrer daqui a dois meses.

Matos será homenageado pelo diretor baiano, André Oliveira - mesmo de Meteorango Kid - que dirige um documentário biográfico sobre a vida do criador de telefone. A ligação de Renato com o cinema é antiga. Ele participou, por exemplo, de outro clássico nacional, A terceira margem do Rio, de Nelson Pereira dos Santos.

Participe

Renato Matos antecipou que irá concorrer ao prêmio do Canta, Brasília com a canção Mar de JK (letra de Jorge Ferreira e música de Matos). Uma demonstração de sua incansável sede de criar. O Correio Braziliense faz uma homenagem aos 53 anos da cidade e quer ouvir o que os novos compositores e artistas tem a dizer sobre ela. O jornal lança o concurso cultural Canta, Brasília, que vai premiar a canção que melhor represente a grande aniversariante.

Para se inscrever, os participantes devem se inscrever no site do concurso no link www.correiobraziliense.com.br/canta-brasilia e mandar um vídeo com duração de uma a quatro minutos, com a letra original sobre Brasília de autoria própria ou de terceiro que tenha cedido os direitos autorais. Leia todo o regulamento na página do concurso e confira todos os requisitos.

Os vencedores serão escolhidos por uma comissão de representantes do Diários Associados, após votação do público, que elegerá cinco finalistas. Os prêmios são: uma guitarra da fabricante norte americana Fender, oito horas de gravação em estúdio, 30 segundos de veiculação da música vencedora nos intervalos da rádio Clube FM, bem como a publicação da íntegra da letra no caderno especial do aniversário de Brasília. Não dá para perder!

Ouça a música



Conheça a letra da música



Um telefone é muito pouco

"Um telefone é muito pouco
Pra quem ama como louco
E mora no Plano Piloto

Se a menina que o cara ama
Tá pra lá do Gama, mata de desgosto
E ele fica dentro do pijama
Em cima da cama comendo biscoito

E a televisão com seus programas
Que não tem mais chama pra quem tá afoito
E ele foge para a Asa Norte
Tropeçando em ratos
Que saem do esgoto"

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