Moradores do Riacho Fundo, Kleuton e Karen vêm faturando honrarias

A dupla conquistou um destaque no prestigiado Prêmio da Música Brasileira

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 21/04/2013 07:00 / atualizado em 19/04/2013 15:38

Edílson Rodrigues/CB/D.A Press

Manter a chama acesa não é tarefa pouca, mas Kleuton e Karen não se intimidam. Moradores de Riacho Fundo, — ele com um pé na roça, ela criada em Ceilândia, — vêm faturando as honrarias mais importante do gênero, com destaque para o prestigiado Prêmio da Música Brasileira, na categoria regional, em 2012. “São seis anos de namoro, seis anos de dupla, seis anos de casados e 22 títulos de festival”, enumera Karen, nome artístico de Fabíola Souza e Silva, 30 anos. Dois discos da dupla foram produzidos por Cassiano, o irmão de Zé Mulato. Se Kleuton e Karen se sentem os herdeiros legítimos dos mestres? “Meu sonho, mas não chega a essa tupelança toda não!”, ri Kleuton. “A gente é fã demais deles. Mas é igual a Tião Carreiro – a cadeira fica vazia, não tem substituto”, completa a mulher.



O solo chucro do Planalto veio a ser arado por muitos talentos da música, que, a seu modo, reinventaram a tradição caipira. Nessa seara, destaca-se Marcos Mesquita, 52 anos, professor de viola da Escola de Música de Brasília. Filho da experimentação dos anos 1970, Mesquita passou pelo rock e escolheu a viola pelo timbre. Estabeleceu parceria com outro violeiro da pesada, Aparício Ribeiro, e criou o rótulo “viola progressiva” para se explicar. “De que um violeiro precisa? Resumi a coisa a três palavras: dar o recado.”

A mente aberta de Mesquita não tardou a frutificar em alunos brilhantes. Cacai Nunes, 34, é o responsável pela implantação do curso de viola caipira na Escola de Choro Raphael Rabello. Como violeiro, sua música incorpora de forró a candomblé, passando por maxixe, choro, coco, frevo etc. O próprio Cacai já formou muita gente. Quem o sucede agora como titular na Escola de Choro é um antigo chapa, Fábio Miranda, 30 anos, carioca radicado na capital federal desde 1989. “Hoje tem muitos artistas que usam a referência caipira para trabalhar a sua expressão, dentro da sua arte, não necessariamente sendo um elo daquela cadeia de tradição oral. E sabe o que ele descobriu? ‘O sertão está em todo lugar, está dentro da gente, é um estado de espírito’, como em Guimarães Rosa."

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.