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Correio Braziliense

Casa do carnaval: Museu em Salvador conta a história da folia no Brasil

Com recursos multimídias e interativos, o espaço retrata a festa mais popular do país


postado em 11/02/2018 07:20

Anteriormente, o prédio abrigava a Casa do Frontispício (foto: Valter Pontes/SECOM)
Anteriormente, o prédio abrigava a Casa do Frontispício (foto: Valter Pontes/SECOM)

Salvador — Quem passa pela simples fachada da Casa do Carnaval, em Salvador, não imagina que o edifício reúne décadas de história em seus quatro pavimentos. Inaugurado na última segunda-feira, a instituição é um museu da folia e mostra a multifacetada trajetória do maior carnaval do país. Localizada no centro histórico da cidade, ao lado da Catedral Basílica de São Gonçalves, a Casa do Carnaval foi construída em apenas quatro meses, com um investimento de cerca de R$ 6 milhões da Prefeitura de Salvador. Com curadoria e concepção cenográfica de Gringo Cardia, o espaço é fruto do trabalho de um amplo grupo de artistas e pesquisadores. Nomes como Paulo Miguez, Jonga Cunha e Bete Capinan participaram da criação do espaço.“Ao todo, chamamos 11 historiadores para ajudar a construir o conceito deste museu”, explica Gringo Cardia.

Não para por aí. O grande diferencial da casa é a interatividade, entregue aos visitantes por meio de diversos recursos multimídia. De acordo com Gringo, essa característica é essencial para a aceitação do público. “Os museus estão se transformando em função de ter uma linguagem mais acessível à juventude, que trabalha muito com tecnologia. Tem que ser uma coisa de impacto. O importante num museu é a pessoa se sentir dentro da história”, acrescenta Cardia. 

Casa do Carnaval 
Praça Ramos de Queiroz, s/nº, Salvador — Bahia. Aberto de terça a domingo, das 11 às 19h. Ingressos a R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia-entrada). Durante o período de carnaval, as visitas devem ser agendadas por meio dos telefones (71) 3324-6360 ou (71) 3324-6791.

Mergulhe na festa da Casa do Carnaval


Ver galeria . 9 Fotos A entrada da Casa do Carnaval conta com uma biblioteca repleta de livros sobre o tema. O painel que cobre a parede é obra do artista J. Cunha.Valter Pontes/SECOM
A entrada da Casa do Carnaval conta com uma biblioteca repleta de livros sobre o tema. O painel que cobre a parede é obra do artista J. Cunha. (foto: Valter Pontes/SECOM )


Origens do carnaval

De fato, quem visita a Casa do Carnaval se sente imerso na festa baiana. Na entrada do prédio encontra-se a sala Origens do Carnaval. Com capacidade para 20 pessoas, o espaço mostra ao visitante os personagens e os acontecimentos mais importantes na trajetória da festa — desde os bailes realizados pela elite até as festas carnavalescas que ocorrem no interior da Bahia. A sala também abriga 200 bonecos de cerâmica, criados pela artista Cibele Sales exclusivamente para a Casa do Carnaval. As miniaturas representam figuras típicas da festa, como Luiz Caldas e Gerônimo.

Sala da criatividade

Ainda no térreo do prédio encontra-se a Sala da Criatividade e Ritmos do Carnaval da Bahia. O ambiente, que comporta até 40 pessoas, detalha a diversidade presente no carnaval baiano. Com luzes, refletores e fitas de LED, a proposta do espaço é remeter à vibração da festa. Ao som de músicas características da folia tocando, o visitante tem acesso a diversas vitrines, que mostram decorações antigas e atuais, importantes durante as festas de Carnaval.

Espaço para músicos prestigiados? Tem também! O centro da sala comporta figurinos originais utilizados por grandes nomes do carnaval, como Ivete Sangalo, Carlinhos Brown, Carla Perez e Daniela Mercury. Além disso, os figurinos dos grupos Ilê Aiyê, Cortejo Afro, Muzenza, Malê de Balê e Olodum, que exaltam o carnaval afro, também estão expostos no local.

Salas de cinema

Para Gringo Cardia, “o museu deve ser um lugar sensorial, teatral, onde você leva susto, brinca…”. Essa é a proposta das salas de cinema, localizadas no primeiro andar do edifício, que comportam até 30 pessoas. Neste espaço, o visitante é convidado a dançar as coreografias de músicas icônicas do carnaval, ensinadas pelos próprios dançarinos de cada grupo musical. Com adereços para caracterização, quem visitar essa sala pode escolher entre cinco vídeos, narrados por Daniela Mercury, Caetano Veloso, Ivete Sangalo, Cláudia Leitte e Baby do Brasil. É só entrar no espaço, escolher a fantasia e dançar as coreografias mais marcantes da festa durante dez minutos!

Terraço e subsolo

O último pavimento do local tem vista para a Baía de Todos os Santos e abriga um palco, mesas e cadeiras. Segundo secretário municipal de cultura e turismo, Cláudio Tinoco, o espaço poderá ser utilizado futuramente para a realização de saraus, pequenos shows, lançamentos de livros e outras diversas atrações culturais.

O subsolo da Casa do Carnaval abriga todo o acervo multimídia, livros e documentos utilizados no museu. Cláudio Tinoco explica que o espaço será aberto para universitários e pesquisadores. “A intenção é de que a casa sirva não só como memorial, mas como espaço de discussão da festa”, acrescenta o secretário de cultura. Para isso, realizará parceria com a Universidade Federal da Bahia (UFBA).

“Museu da alegria”

Gringo Cardia, curador da Casa do Carnaval, explica que a instituição é de extrema relevância por preservar a história de uma das festas mais importantes do país. “O carnaval da Bahia mudou o Brasil”, admite Cardia. Para ele, o museu cumprirá o papel de mostrar ao público que o carnaval é o palco da liberdade. “Esse é o museu da alegria. Neste momento do Brasil, o que a gente mais precisa é valorizar a alegria” completa o artista.

*Estagiária sob supervisão de Severino Francisco

**A repórter viajou a convite da Prefeitura de Salvador 

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