Publicidade

Correio Braziliense

Carnaval enche as ruas de Bezerro, no interior de Pernambuco

As grandes atrações são os papangus, uma tradição centenária, surgida na época dos senhores de engenho no século XIX


postado em 11/02/2018 13:07

Foliões fantasiados em Bezerros, que espera 300 mil visitantes durante o carnaval(foto: Roberto Fonseca/CB)
Foliões fantasiados em Bezerros, que espera 300 mil visitantes durante o carnaval (foto: Roberto Fonseca/CB)
 
Bezerros (PE) - As ladeiras nem de longe lembram as de Olinda, mas a lotação e a empolgação são bem parecidas. Durante 361 dias do ano, a pequena cidade da região do Vale do Ipojuca, distante 102km do Recife, conta com 58,6 mil habitantes. Mas, durante os quatro dias de folia, vê a população flutuante multiplicar. No domingo de carnaval, por exemplo, são esperadas 300 mil pessoas apenas na parte central.

No corredor da folia, encravado ao redor da Rua da Matriz, as grandes atrações são os papangus, uma tradição centenária, surgida na época dos senhores de engenho no século XIX, que saiam mascarados às ruas para poder brincar carnaval, na época conhecido como “Entrudo”, sem serem identificados e que comiam angu — daí a origem do termo. “É uma brincadeira que passa de pai para filho. Tem gente que fica pensando o ano inteiro qual fantasia vai usar”, afirma o papangu que diz se chamar Madeira Matriz, mas prefere não revelar o nome. “Só posso dizer uma coisa: sou um empresário daqui da cidade mesmo. Tenho três filhos”, dá uma pista.

Atualmente, as máscaras dos mais tradicionais papangus são feitas com papel colê ou marchê, com cola e tinta. As roupas variam de formas e cores. Podem ser calças, mantas ou as tradicionais caftas (tecidos que cobrem o corpo inteiro), com as mãos escondidas com luvas.  

Ao lado de Madeira Matriz, a aposentada Rita das Graças Silva, 71 anos, brinca com os três netos: Henrique, 9; Mateus, 8; e João Ricardo, 3. Moradora de Sairé, distante 12km de Bezerros, ela se muda mala e cuia para a casa da prima Maria das Dores durante os quatro dias de carnaval. “É a melhor festa do interior de Pernambuco. Na paz, sem brigas sem baixaria nenhuma”, comenta. Os ritmos mais tocados são o frevo (como não poderia deixar de ser) e o forró.

Com a cidade cheia, quem faz a festa são os comerciantes locais e os ambulantes. Vendem de tudo: desde cervejas, águas e refrigerantes até as tradicionais batidas locais. A “axé” é vendida por R$ 2 o copo americano. Normalmente, oferecida como “energético”, pois trata-se de uma mistura de mais de 20 ervas com cachaça. “É uma delíiiiiiiiiicia”, diz o militar Américo Ricarte, 22 anos.

*O repórter viajou a convite do Governo de Pernambuco e da Prefeitura do Recife.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade