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Correio Braziliense

No segundo dia de desfile, escolas exaltam tolerância sexual e religiosa

Segunda-feira de carnaval na Marquês de Sapucaí é marcada por tributo a artistas e à ciência


postado em 13/02/2018 08:01

Juliana Alves, rainha da Unidos da Tijuca, que inaugura o segundo dia do grupo especial do Rio homenageando Miguel Falabella(foto: Wilton Junior/Agência Estado)
Juliana Alves, rainha da Unidos da Tijuca, que inaugura o segundo dia do grupo especial do Rio homenageando Miguel Falabella (foto: Wilton Junior/Agência Estado)


O segundo e último dia de desfiles das escolas de samba no Rio de Janeiro foi marcado por irreverência e homenagens. A Unidos da Tijuca abriu as apresentações com um enredo em tributo ao ator, diretor e escritor Miguel Falabella. Da infância ao sucesso profissional, a vida dele foi destacada pela agremiação, que, este ano, intensificou os cuidados com os carros alegóricos. No ano passado, um deles desabou, ferindo 12 pessoas. O acidente foi provocado por um defeito no elevador hidráulico que levantava o segundo andar da alegoria.

Uma das campeãs de 2017, a Portela entrou em seguida no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, pregando a tolerância com imigrantes refugiados. A comissão mostrou, por meio de sua trama, a história de um grupo de judeus que foi expulso do Brasil pelos portugueses e fundou Nova York.

Até o fim desta edição, a previsão era de que outras quatro agremiações desfilassem na Sapucaí. A União da Ilha preparou um enredo que homenageia a gastronomia brasileira e pôs em sua panela as influências europeia, indígena e negra. O Salgueiro, afeita a temáticas ligadas à África, criou uma história de tributo às mulheres negras.

O samba-enredo da Imperatriz Leopoldinense busca enaltecer os 200 anos do Museu Nacional do Rio de Janeiro, com foco na instituição científica carioca cujo prédio abrigou a família real portuguesa. A Beija-Flor, que encerraria o desfile, organizou uma trama que critica as intolerâncias sexual, racial, religiosa e política.

Protestos


No primeiro dia de desfiles, alegria contagiante, irreverência e também muitas críticas marcaram os enredos das agremiações, que percorreram temas do passado e do presente, com direito a protestos políticos em algumas apresentações. A Paraíso do Tuiuti, a quarta a desfilar, discorreu sobre a escravidão no Brasil e defendeu a ideia de que ela ainda não acabou, apenas mudou de forma.

O carnavalesco Jack Vasconcelos, autor do samba-enredo da Tuiuti, partiu dos navios negreiros do século 16 e chegou ao “cativeiro social” dos dias de hoje, marcado por desigualdades sociais e precarização do trabalho. As últimas alas e o carro alegórico que fechou o desfile, bastante aplaudidos, fizeram críticas à reforma trabalhista e mostrava o presidente Michel Temer (MDB) como um vampiro.

A Mangueira também não deixou por menos. Em defesa da folia carioca, a comissão exaltou escolas de samba, blocos de rua, e criticou abertamente o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, considerado um gestor “anticarnavalesco”. A agremiação foi saudada pelo público aos gritos de “é campeã” pelo belo desfile. Para muitos, a apresentação a credencia como uma das favoritas ao título do carnaval carioca de 2018.

O Império Serrano abriu o primeiro dia, mas o samba-enredo que destacou a cultura chinesa colocou no Sambódromo uma apresentação simples demais. Ao contrário da São Clemente, que fez bonito na homenagem aos 200 anos da Escola Nacional de Belas Artes. A Vila Isabel, que mostrou uma viagem no tempo, das primeiras descobertas até os dias atuais, trouxe carros com efeitos tecnológicos e foi um dos destaques.

A Mocidade Independente de Padre Miguel, campeã em 2017 — empatada com a Portela —, também se destacou, com um enredo que apresentou as semelhanças entre as culturas indiana e brasileira. A Grande Rio foi outra escola a se apresentar, mas um carro quebrado tirou as chances da agremiação, que homenageou o comunicador Abelardo Barbosa, o eterno Chacrinha.

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