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Correio Braziliense

Aumenta furto nos estacionamentos das faculdades

 


postado em 25/05/2008 08:40 / atualizado em 25/05/2008 08:53

A primeira reação é engolir em seco. Logo vem um frio na barriga, um arrepio na espinha e a dúvida de ter largado o carro no espaço agora vazio. Não adianta olhar em volta e circular pelo estacionamento. Aos poucos, a verdade aparece (e só ela): o veículo desapareceu. E você foi vítima de um furto. Só quem teve um bem próprio levado por assaltantes entende a sensação de insegurança ao voltar de um compromisso e não encontrá-lo. Em Brasília, o crime tem endereço: as portas das universidades pública e particulares. Levantamento da Delegacia de Repressão a Furto de Veículos (DRFV) revela que pelo menos um veículo some por dia das vagas públicas de faculdades do Plano Piloto e de Taguatinga. Os dados também apontam pela primeira vez a atuação de bandidos especializados em instituições como Universidade de Brasília (UnB), Centro Universitário de Brasília (UniCeub), Centro Universitário do Distrito Federal (UniDF) — todas nas asas Sul e Norte — e Universidade Católica de Brasília (UCB), em Taguatinga Sul. A ação desses grupos fez com que a DRFV iniciasse em março deste ano a Operação Saber. A constante circulação de agentes em horários específicos permitiu o mapeamento dos ataques. Os furtos nas particulares ocorrem à noite, entre as 18h e as 23h. Já os carros dos alunos da UnB viram alvo entre as 7h e as 18h. “Sabemos, por exemplo, que agem na Católica às terças e sextas-feiras. O resto da semana fica para as demais. Mas o que mais chamou a atenção é que os veículos levados nesses lugares não eram localizados. É coisa de quadrilha especializada”, afirmou o titular da DRFV, delegado Moisés Mendes. O estudante de biologia da Católica Walace Santos Cavalcante, 24 anos, é uma das vítimas mais recentes do crime. Teve a Marajó 1984 levada por assaltantes na noite de 9 de abril. O carro estava parado no estacionamento externo da universidade. “Cheguei atrasado naquele dia e acabei deixando do lado de fora. O pago estava lotado. Quando voltei, havia sumido. Em um primeiro momento, achei que tinha estacionado em outro lugar e ainda dei uma olhada por cima”, contou Walace. O universitário registrou ocorrência do furto. E a polícia encontrou a Marajó no dia seguinte. O veículo estava abandonado e parcialmente depenado nas proximidades do antigo Jockey Club, perto de Vicente Pires. Faltavam os quatro pneus e o estepe, aparelho de som, chave de roda e tudo que pudesse ser revendido. Antes do assalto, Walace não recorria a nenhum equipamento de segurança para a Marajó. Gastou R$ 300 para a instalação de alarme e sistema corta-corrente. Nunca mais largou o veículo na área externa da faculdade. “Se for para chegar atrasado, prefiro ir de ônibus. Não quero ficar sem carro de novo. Uma semana depois do meu, foi a vez de um amigo”, disse. Escort A investigação da DRFV também mostrou que as quadrilhas especializadas em furtos de veículos usam carros de apoio em cada ataque. No último dia 9, agentes da Operação Saber fizeram as duas primeiras prisões desde o início da ação. Domingos Pereira dos Santos, 32 anos, e Edney Pereira de Novaes, 23, foram detidos em um Escort dourado nas proximidades de uma instituição de ensino do Guará. O carro era justamente o ponto de partida do trabalho dos policiais, que seguiram a dupla e a flagraram ao furtar um Uno e uma Pampa. Antes da prisão, os agentes acompanharam Domingos e Edney desde Taguatinga. “Tínhamos a informação de que esses assaltantes usavam o tal Escort dourado para praticar furtos. Localizamos o veículo perto da Universidade Católica de Brasília e o seguimos até o Guará. Lá, eles tentaram furtar os dois carros”, explicou o delegado Moisés Mendes. O Uno e a Pampa foram devolvidos aos donos. O Escort também era furtado. A DRFV indiciará os dois detidos por furto. A pena máxima pelo crime é de quatro anos de reclusão. Mas se ficar provada a participação deles em uma quadrilha a punição pode dobrar. Estacionamento lotado A Polícia Militar não faz rondas específicas nas faculdades de Taguatinga. A responsabilidade fica com os carros de polícia de cada área. O policiamento é intensificado só nos horários de maior movimento. O tenente-coronel Leonardo Moraes, comandante do 2º Batalhão de Polícia Militar (Taguatinga), disse que os ataques dos ladrões se concentram entre as 19h30 e as 21h. “Neste horário, o aluno está em aula e ainda vai demorar para sair”, explicou. “Problema também é a rapidez do furto. Às vezes, quem vê a ação do bandido imagina que quem está abrindo é o próprio dono”, acrescentou. A UCB mantém um estacionamento vinculado a uma empresa privada. Os alunos têm de desembolsar diariamente R$ 1,50 para usar a área fechada. A maioria opta pela segurança. Mas, além do preço, os estudantes apontam outro motivo para estacionarem fora do câmpus: os engarrafamentos da saída — são 4,6 mil veículos por dia. Como cada motorista precisa pagar a taxa antes de sair, a demora chega a 40 minutos. Em nota, a Universidade Católica disse que não se responsabiliza pelos carros deixados na parte externa da instituição.

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