Cidades

Auditoria apura notas baixas no Cean

Alto número de reprovações leva secretaria de governo a fazer inspeção no Cean, junto com Ministério Público. Em Química, índice chegou a 55% no primeiro bimestre. Professores serão remanejados

postado em 02/06/2008 08:51
A Secretaria de Educação realizará uma auditoria no Centro de Ensino Médio da Asa Norte (Cean). A partir desta segunda-feira (02/06), o governo fará inspeção na escola para descobrir os motivos que levaram a queda de rendimento dos 935 alunos. Os técnicos, que serão acompanhados pelos promotores da Promotoria de Defesa à Educação (Proeduc) do Ministério Público do DF, farão uma análise do projeto pedagógico do colégio, que não foi registrado na secretaria no início do ano letivo. O calendário escolar, o conteúdo dado em sala de aula e o lançamento da nota dos alunos no sistema também serão avaliados. A secretaria quer saber por que houve um alto número de estudantes reprovados em diversas matérias, no primeiro bimestre de 2008.

De acordo com a Secretaria de Educação, o Cean é uma das escolas do Plano Piloto com as melhores condições de recursos humanos. Há 11 professores excedentes no quadro. Os alunos de disciplinas exatas contam, inclusive, com dois professores ; um para aulas teóricas e outro para práticas em laboratório. Mesmo assim, a maior parte dos alunos está com médias abaixo de cinco nessas matérias, nos primeiros dois meses do ano. Em química, por exemplo, 55% deles não conseguiram alcançar o mínimo pedido. Em matemática, física e biologia, os índices de notas abaixo de 5 ficaram em 73%, 43% e 18% respectivamente, sendo que a escola não informou 40% das notas de biologia.

Se as notas forem comparadas com as do ano passado, o rendimento dos alunos é ainda pior. Em 2007, 61% deles não fizeram pontos suficientes para serem aprovados. No primeiro bimestre de 2008, o índice já alcança 72%. Além disso, o governo quer investigar o que motivou o grande número de transferências na escola. No final de 2007, havia 1.154 alunos matriculados no Cean. No começo deste ano letivo, o número caiu para 998. De janeiro para cá, porém, 63 alunos já pediram transferência e mais 14 pais querem mudar os filhos de escola atualmente.

A inspeção não tem data para acabar e, enquanto os técnicos não terminarem a análise do método pedagógico da escola, um funcionário da Secretaria de Educação vai acompanhar a rotina de aulas. Se as investigações concluírem que o projeto do Cean está inadequado, o governo poderá indicar outro nome para assumir os cargos de direção do local. Atualmente, o Cean é a única das 617 escolas do DF dirigidas por um profissional que não passou pelo processo de gestão compartilhada, que elegeu os diretores e vices democraticamente. O Conselho Escolar do Cean não aceitou o nome do professor aprovado na prova da secretaria e indicou outro nome para assumir a direção.

Carga horária
O caso do Cean é apontado pelo secretário de Educação, José Luiz Valente, para explicar o remanejamento de professores, que começa hoje nas escolas da rede pública do DF. Uma auditoria realizada nas instituições de ensino apontou 485 profissionais excedentes, ou seja, que trabalham com uma carga horária menor do que deveriam ou estão lotados em atividades ou projetos fora da grade curricular do aluno. A mesma auditoria, por outro lado, constatou a falta de 125 professores na rede. ;Decidimos, então, movimentar professores excedentes para escolas em que tínhamos carência. O objetivo principal é garantir a qualidade no atendimento de todos os alunos;, justificou o secretário.

Valente garantiu que as mudanças não significam o fim das aulas de laboratório. Segundo ele, entre as 74 escolas de Ensino Médio do DF, quatro (o Cean, o Centro Educacional 3 do Guará, o Centro Educacional 7 da Ceilândia e o Centro de Ensino Médio 1 de Brazlândia) tinham dois professores de uma mesma matéria que dividiam as aulas em sala e de laboratório. Agora, um deles será remanejado, mas o outro assumirá as duas funções. ;Se os dois professores garantissem uma qualidade de ensino, não haveria o que contrapor. No entanto, não é o que acontece efetivamente;, ressaltou. Segundo o secretário, nenhum professor será colocado em outra regional de ensino, a não ser que queira. O remanejamento também vai respeitar disciplina, carga horária e tempo de serviço.

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