Cidades

HUB está sem tomógrafo há dois meses

Contrato de manutenção com o fabricante venceu no fim de janeiro e o Hospital Universitário não conseguiu substituir o prestador dos serviços. Pacientes precisam recorrer à rede privada para fazer exames

postado em 04/06/2008 08:47
A professora Maria Isabel de São José, 62 anos, já enfrentou quatro cânceres em 22 anos. Há quatro meses, o aparecimento de um pequeno nódulo no pulmão tirou o sono da moradora do Guará. Depois de tantos diagnósticos, ela temia um novo tumor. A recomendação médica foi a realização de uma tomografia, para análise do caroço. O exame foi marcado para 6 de maio no Hospital Universitário de Brasília, mas a professora até hoje não conseguiu fazer o procedimento na rede pública: o tomógrafo do HUB não funciona há dois meses.

Depois de ligar durante duas semanas para tentar remarcar a tomografia, Maria Isabel teve que recorrer à rede particular. ;O meu problema é muito grave, não podia esperar mais de um mês para fazer o exame. Estou completamente endividada no cheque especial, mas preferi procurar uma clínica particular. O pior é que a grande maioria dos pacientes não pode fazer o exame na rede privada e tem que ficar mais de um mês à espera da tomografia;, reclama ela. ;A UnB (Universidade de Brasília) tem mais é que vender seus imóveis e investir no que realmente importa, que é a saúde da população;, critica a professora, que mora no Guará.

O Hospital Universitário de Brasília tinha um contrato de manutenção com a empresa General Eletric, fabricante do tomógrafo, desde 2004. Mas o documento venceu em 31 de janeiro deste ano. O HUB decidiu prorrogá-lo, mas o Departamento Jurídico da UnB determinou a abertura de uma licitação. Enquanto a concorrência pública não era finalizada, o hospital fez um contrato de emergência por 60 dias.

Outra empresa venceu a licitação, mas foi desclassificada por questões técnicas. Segundo a Assessoria de Imprensa do HUB, o Centro de Engenharia Clínica do hospital considerou arriscado contratar uma empresa que não fosse a fabricante do tomógrafo. Como a General Eletric ofereceu o segundo melhor preço, foi autorizada juridicamente a assumir o contrato, depois da desclassificação da primeira colocada. O contrato foi encaminhado à empresa em 11 de maio. O HUB espera agora um parecer jurídico da General Eletric para concluir a assinatura do documento. Ontem à tarde, a empresa sinalizou que o processo deve ser concluído ainda esta semana.

Hospital de Base
Para dificultar ainda mais a vida de quem precisa fazer exames, o tomógrafo do Hospital de Base também está com problemas. O aparelho não parou totalmente, mas, como o revelador de imagens está quebrado, os médicos têm que avaliar o exame na tela do próprio aparelho e fazer o laudo em seguida. A previsão é que o problema seja corrigido ainda hoje.

O Hospital de Base tem dois tomógrafos, mas apenas o da emergência ainda funciona. O aparelho do ambulatório está parado há mais de dois anos, e as peças para o conserto sairiam mais caro do que a compra de um novo equipamento. Por isso, no ano passado, o governador José Roberto Arruda determinou a compra de três novos tomógrafos para a rede.

O mais moderno, chamado Multi Slice de 16 canais, custou R$ 1,1 milhão e será entregue na semana que vem. Os outros dois, de quatro canais, custaram R$ 700 mil cada um e serão destinados aos hospitais regionais de Taguatinga e de Santa Maria. ;Gastamos R$ 2,5 milhões para comprar três tomógrafos para a rede pública. Com eles, a espera por exames será muito menor e o atendimento ficará mais ágil;, explica o subsecretário de Atenção à Saúde, João Luiz Arantes.

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