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Correio Braziliense

Entrevista: Oscar Niemeyer

 


postado em 01/07/2008 08:09 / atualizado em 01/07/2008 08:11

Qual é o objetivo da revista? Levar aos jovens a pensar os problemas do país e da América Latina, evitando assim o profissional apenas voltado para sua especialização. O que a arquitetura lhe deu de mais precioso? Não sei. É com maior empenho que me dedico a qualquer projeto. E quando a solução adotada representa qualquer coisa de novo e criativo, é com empenho que procuro vê-la realizada. Qual o lugar de Brasília na história da arquitetura e do urbanismo de todos os tempos? Foi uma aventura. Um momento de otimismo, que recordo com muita satisfação. Afinal, não é fácil fazer uma cidade em cinco anos. O Palácio da Alvorada ficou pronto há 50 anos. É verdade que o senhor fez um esboço inicial, do qual o então presidente Juscelino Kubitschek não gostou? Nunca quis falar nisso. Era com entusiasmo repetido que ele acompanhava todos os nossos projetos. Que lugar o Alvorada tem no conjunto de suas obras? Me agrada a solução adotada. Um palácio diferente. E ser diferente é, para mim, um dos aspectos principais da arquitetura. O senhor acha que o projeto original da capital continua sendo respeitado? Quando Lucio desenhou o Plano Piloto, ele sabia que Brasília seria a nova capital. E isso explica o grande eixo, que deu a Brasília a monumentalidade desejada. É difícil fazer uma cidade evitando as modificações que surgem durante a sua construção. Nas cidades modernas, o essencial é mantê-las dentro da densidade demográfica fixada. Devem ser multiplicáveis. E isso numa capital é impossível realizar. Olho Brasília com o entusiasmo dos que a acompanharam desde o início das obras. Foi uma cidade difícil de construir, longe de tudo, isolada naquela área distante e abandonada. E isso merece ser compreendido e respeitado. Qual o seu projeto que melhor representa Brasília? O Congresso Nacional. Lembro Le Corbusier, ao ver com surpresa as cúpulas do Congresso, me dizer: “Aqui há invenção”.

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