Jornal Correio Braziliense

Cidades

Acusada de estelionato tenta enganar promotor

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Após escapar de uma agressão coletiva e ganhar a liberdade apesar de acumular cerca de 30 ocorrências por estelionato, Magaly Alves de Oliveira, 47 anos, acabou presa na sexta-feira (11/07), quando tentava vender um lote de 20 mil metros quadrados no Setor de Mansões do Park Way (SMPW). A audácia de Magaly provocou sua queda. O cliente era o promotor de Justiça Maurício Miranda, do Tribunal do Júri de Brasília, que desconfiou da oferta e acionou a Delegacia de Defraudações e Falsificações (DEF). Magaly não estava sozinha. A tentativa de golpe envolvia Elizabete Barbosa de Queiroz, 53 anos, Maria Helena de Carvalho Moraes, 44, desempregada e Joabe Alves do Nascimento, 39. Moradora de Taguatinga, Elizabete apresentou à polícia uma carteira de técnico em transações imobiliárias. Após depoimento na DEF, os quatro terminaram o dia em um presídio. Maurício Miranda contou que uma jurada do Tribunal de Júri de Brasília, Ana Maria Couto, o procurou no último dia 3, dizendo que trabalhava como corretora e teria um lote para vender. O promotor, que pretendia comprar um terreno, se interessou. Mas Ana Maria não apareceu e em seu lugar surgiu outra mulher, identificada como Marli, para acertar a venda do lote. Marli disse que o imóvel estava em fase final de regularização e a proprietária tinha outros três lotes. Ela precisava vender um para pagar a regularização dos demais. Maurício pediu os protocolos dos procedimentos de regularização e marcou um encontro para a última terça-feira, no gabinete dele, no Tribunal de Justiça do Distrito Federal (Plano Piloto). Ninguém apareceu. Na quarta-feira, Marli telefonou e pediu desculpas por faltar ao encontro. Na quinta-feira, foi a vez de Elizabete ligar para confirmar o interesse do promotor. Ela disse que havia outras chácaras e deu o endereço ; SMPW 26, conjunto 11 ; a Maurício, que resolveu ir ao Park Way no mesmo dia. Área pública Para ter mais informações, o promotor decidiu conversar com um morador e soube que o local do terreno supostamente à venda era uma área pública e que várias pessoas haviam aparecido por lá interessadas em comprar um lote. Aconselhado a consultar a administração regional do SMPW, Maurício soube que o lote não poderia ser vendido nem regularizado porque estava em área pública. Confirmada a fraude, ele alertou a polícia. Magaly e os demais envolvidos no golpe foram presos no 1º Cartório Maurício de Lemos, na W3 Sul, às 15h de sexta. Eles estavam encerrando a transação de compra e venda quando os policiais os surpreenderam. Maurício Miranda já havia preenchido o cheque de R$ 250 mil, preço combinado pelo lote. De acordo com a delegada Vera Lúcia da Silva, chefe da DEF, Magaly, Elizabete, Maria Helena e Joabe são ;estelionatários que não temem nada;. Eles foram enquadrados nos crimes de formação de quadrilha e tentativa de estelionato. As penas variam de dois a cinco anos para estelionato e de um a três anos para formação de quadrilha.