Jornal Correio Braziliense

Cidades

Atendimento do Samu cai 59,5% com lei seca

Redução representa quase R$ 30 mil a menos em gastos emergenciais

Nos primeiros 30 dias da lei seca, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) fez quase 100 atendimentos a menos do que no mês anterior à sanção da norma. A redução é de 59,5% e se refere aos acidentes graves ; em geral, atropelamentos e capotagens. A equipe do Samu estima que essa queda represente uma economia de quase R$ 30 mil aos cofres públicos. ;Isso considerando apenas o custo de uma unidade de suporte básico. O custo das viaturas de suporte avançado, cuja equipe é maior e têm mais equipamentos, é maior;, afirma o coordenador do serviço no DF, o médico Cláudio Vieira. De 20 de junho, quando a lei seca entrou em vigor, até 20 de julho, as centrais telefônicas do Samu receberam 146 chamadas de cidadãos pedindo socorro para acidentes graves. Nos 30 dias anteriores, foram 245. O coordenador do serviço no DF não hesita em relacionar a queda nos números à diminuição do hábito de beber e dirigir do brasiliense. ;Acidentes sempre vão existir. Mas quem bebe está sujeito aos desastres mais graves;, disse Cláudio Vieira. Ele calcula que o quilômetro rodado de uma unidade de suporte básico custe R$ 6. Esse valor inclui o combustível, a depreciação do veículo e dos equipamentos, além do pagamentos dos profissionais. Segundo ele, entre a saída da central, o caminho até o hospital e a volta depois do atendimento, um ambulância roda, em média, 50km. ;Esse percurso custa cerca de R$ 300;, comentou ele. ;A repercussão da lei superou as expectativas do melhor dos nossos sonhos;, disse o diretor de relações institucionais da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), Fábio Racy. A entidade é a responsável pelo maior lobby em favor da redução da tolerância à mistura de álcool e direção. ;Defendemos nível zero de alcoolemia ao volante desde o início;, afirmou Racy. Segundo ele, os senadores queriam manter o limite de 0,6 decigrama por litro de sangue e o Ministério da Saúde pedia 0,3 decigrama: ;No final, convencemos todos da importância da nossa tese;. Para os integrantes da Abramet, a redução dos acidentes em todo o país é um argumento imbatível em favor da Lei Federal nº 11.705/08. ;Os argumentos de quem é contra são absurdos. Já ouvi gente dizendo que é melhor buscar o filho no IML do que na cadeia;, contou o diretor da entidade. ;Mas acredito que o brasileiro chegou no nível de beber com responsabilidade.; Detran No Distrito Federal, o Departamento de Trânsito continua com as blitzes para punir quem dirige alcoolizado. ;Acredito que já tenhamos autuado mais de mil motoristas embriagados desde o início do ano;, disse o gerente de Fiscalização do Detran, Silvaim Fonseca. Em 2007, foram 1.008 autuados. Após 20 de junho, 175 condutores tiveram as habilitações recolhidas e terão de pagar R$ 957 de multa por dirigirem sob influência de álcool. ;As operações estão centradas no Plano Piloto, em Ceilândia e Taguatinga, regiões que concentram 57% do total de acidentes;, revelou Fonseca. Sem descuidar dos motoristas, o Detran também tem fiscalizado os motociclistas. ;Em cada grupo de 10 mil motocicletas, 13 se envolvem em acidentes, enquanto que a cada grupo de 10 mil carros, quatro se acidentam;, comparou.