Cidades

Pesquisa: renda e escolaridade baixas são empecilho para tratamento da Aids no DF

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postado em 10/08/2008 12:00
Baixa instrução e condições econômicas desfavoráveis são o maior empecilho para o tratamento da Aids no Distrito Federal. É essa a conclusão de pesquisa feita pelo médico Cláudio Viveiros de Carvalho, que a defendeu como tese de doutorado na Universidade de Brasília (UnB). Carvalho entrevistou 253 portadores do HIV em tratamento no DF e chegou à conclusão de que pessoas com ensino fundamental incompleto têm probabilidade 2,4 vezes maior de não aderir ao uso dos medicamentos do que os que têm curso superior. Se for levada em conta a faixa de renda dos entrevistados, tem-se um quadro semelhante: participantes do estudo que ganham até três salários mínimos mostraram tendência 2,3 vezes maior de não tomar os remédios necessários em comparação com a população de renda maior. "Quem tem nível econômico melhor é mais instruído, tem facilidade de acesso, uma vida mais estruturada e tende a cuidar mais da própria saúde", diz. Segundo ele, a falta de escolaridade interfere até nas ações mais simples relativas a cuidados médicos. "Pacientes analfabetos entrevistados, por exemplo, revelaram ter dificuldade em decorar os horários indicados para cada comprimido", exemplifica. Cláudio Carvalho destaca ainda que pacientes com maior renda têm mais acesso a informações sobre a doença e suas implicações. Em uma quantificação absoluta, no entanto, a pesquisa do médico apontou que a maior parte dos entrevistados segue as recomendações médicas. A adesão média detectada foi de 89,5%, e, dos 253 pacientes, 73,2% declararam ingerir a quantidade correta de remédios receitada por seus médicos. O comportamento dos portadores do HIV no DF, portanto, fica próximo da média nacional, que é de 73% de adesão integral. Variáveis Para o médico Dalcy Albuquerque Filho, gerente da Unidade Mista de Saúde - antigo Hospital Dia e hoje a maior unidade de referência no tratamento de HIV/Aids na rede pública local - pacientes menos instruídos podem, sim, ter dificuldade em ter acesso ou assimilar informações sobre a doença e sobre o tratamento. Ele diz, entretanto, que há questões de ordem prática que fazem parte da realidade dos pacientes com renda mais baixa que não podem ser ignoradas. "A pessoa pode não ter dinheiro para tomar o ônibus para buscar os remédios, que são fornecidos gratuitamente. Isso ocorre direto com portadores que moram no Entorno, já que no DF portadores de HIV têm gratuidade no transporte público. Também há casos de pacientes que têm dificuldade de serem liberados do trabalho, de gente que precisa guardar o remédio na geladeira e não tem o eletrodoméstico em casa. São inúmeras variáveis", afirma. Albuquerque diz, ainda, que a partir do momento em que é diagnosticado como portador do HIV na rede pública, o paciente do DF recebe todas as informações possíveis sobre o assunto. O médico afirma também que a Gerência de DST/Aids da Secretaria de Saúde espalha cartazes e material informativo sobre o vírus, formas de contágio e locais onde o diagnóstico pode ser feito. O Distrito Federal possui mais sete unidades públicas ligadas ao governo local que são referência no tratamento da Aids além da Unidade Mista de Saúde, que fica na Asa Sul. Além delas, há o Hospital Universitário de Brasília (HUB), que é vinculado ao governo Federal e também oferece tratamento A Secretaria de Saúde do DF mantém, também, um Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) na rodoviária do Plano Piloto de Brasília. Lá, o teste para verificação da presença do HIV e de outras doenças sexualmente transmissíveis pode ser feito gratuitamente, e há uma equipe para esclarecer dúvidas. Os telefones para contato do CTA são 3325 6079 ou 3325 6173.

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