Publicidade

Correio Braziliense

Caso Pedrinho: Vilma se refugia em chácara

 


postado em 20/08/2008 08:28 / atualizado em 20/08/2008 08:39

Goiânia (GO) — A seqüestradora de bebês Vilma Martins Costa, 52 anos, escolheu uma ampla, arborizada e confortável chácara, em uma região de condomínios fechados a 20km do centro de Goiânia, para curtir o primeiro dia em liberdade condicional. É o endereço fornecido por ela à Justiça como residência fixa. Os vizinhos não esconderam a insatisfação e falaram até em abaixo-assinado para pedir a mudança da nova moradora, em função de supostas arruaças aprontadas pela ex-presidiária. Os moradores dos terrenos próximos, muitos aposentados que escolheram o lugar para viver em paz, dizem que a ex-comerciante costuma dar festas barulhentas nos fins de semana. “Tem de tudo quando ela (Vilma) está aí. A gente não consegue dormir por causa das músicas em alto volume. Ela até aluga a outra casa (são duas no mesmo terreno) para festas”, reclamou uma professora universitária de 65 anos que mora no centro de Goiânia e gosta de passar o sábado e o domingo em uma das propriedades que fazem divisa com a da nova moradora fixa. As reuniões organizadas pela família de Vilma ocorriam graças a benefícios concedidos a ela pela Justiça durante o regime semi-aberto. A ex-comerciante foi condenada a 15 anos e nove meses pelo roubo de dois recém-nascidos e uso de documentos falsos. Entre as vítimas está Pedro Rosalino Braule Pinto, o Pedrinho, levado de uma maternidade de Brasília em 1986. O paradeiro dele só foi descoberto no fim de 2002 — o garoto passou 17 anos em Goiânia e foi criado como filho legítimo de Vilma. Pedrinho mora há quatro anos em Brasília, com o pai e a mãe biológicos: procurada pelo Correio, a família não quis se pronunciar sobre a liberdade condicional da seqüestradora. A ex-comerciante passou apenas dois anos e nove meses em uma penitenciária, no município de Aparecida. Os outros dois anos e sete meses, ela ficou na Casa do Albergado, na capital goiana, onde só ia para dormir. Na última segunda-feira, Vilma conseguiu a liberdade condicional. Desde então, ela pode morar e dormir em qualquer lugar, e até viajar para o exterior, desde que comunique a ausência à Justiça goiana. Estresse e xingamentos Vilma chegou à casa nessa terça-feira (19/08), no Setor de Chácaras Samambaia, às 11h50. Ela estava com três amigos. Um deles era Ana Machado Borges, que ajudou na fuga da ex-comerciante após a descoberta do paradeiro de Pedrinho. Vilma fugiu por 15 dias e foi encontrada na casa de Ana, em Aparecida, a 20km de Goiânia, em 11 de maio de 2003. A seqüestradora estava embaixo de um sofá com fundo falso, mas não conteve um gemido de dor quando a amiga — que pesava 130kg — sentou-se sobre o esconderijo para despistar os investigadores. Ao ver a equipe do Correio na manhã de ontem, em uma chácara ao lado da de Vilma, os acompanhantes providenciaram uma cadeira de rodas para Vilma descer do carro. As amigas estavam com as mesmas roupas do dia anterior, quando estiveram no Fórum de Goiânia para a audiência com o juiz que deu a liberdade condicional à ex-comerciante. Ana e parentes passaram o resto do dia xingando os jornalistas, de plantão do lado de fora. Já Vilma permaneceu dentro de casa, ao lado de Roberta Jamilly, que ela criou como filha legítima, mas na verdade é Aparecida Fernanda Ribeiro da Silva, a recém-nascida raptada em um hospital de Goiânia em 1979. O advogado de Vilma, Leonardo de Melo, esteve na chácara por meia hora. “A dona Vilma não vai dar entrevista porque está estressada, devido aos cinco anos na cadeia. Ela, inclusive, está sedada. Vai dormir o dia inteiro. Por enquanto, ninguém quer saber de entrevista”, afirmou. Ele ressaltou que a cliente não tem condições de andar por causa de complicações de uma diabete. Mas o juiz Éder Jorge, que concedeu a liberdade condicional, afirmou não haver necessidade de Vilma usar uma cadeira de rodas: “Quem garantiu isso foi a junta médica do Poder Judiciário”. A chácara de 5 mil metros quadrados onde Vilma está pertence a Christianne Michelle Martins da Silva, 33, uma das três filhas dela que moram na Europa. Segundo vizinhos, as duas casas —uma de quatro quartos e outras de dois — e todas as benfeitorias (piscina, parque infantil, iluminação do terreno e jardinagem) foram feitas em 2007, com dinheiro enviado por Christianne da Espanha. “Quando a bagunça passa de todos os limites, ligamos para ela (Christianne), que é a mais responsável da família”, contou um vizinho. Ontem não teve churrasco nem música alta.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade