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Correio Braziliense

Motorista é preso por embriaguez

Condutor que se envolveu em acidente na Ponte JK, estava com índice de álcool oito vezes maior que o permitido. Foi pego no teste do bafômetro e levado para delegacia


postado em 25/08/2008 07:41 / atualizado em 25/08/2008 07:46

Um motorista embriagado causou mais um acidente de trânsito na Ponte JK esse fim de semana. O Gol conduzido por Diego Alex Nogueira Guimarães, 24 anos, bateu na traseira de um outro Gol e fez com que o carro capotasse. Os quatro ocupantes do veículo usavam cinto de segurança e, por isso, sofreram apenas ferimentos leves. Diego foi submetido ao bafômetro e o aparelho constatou 0,79 miligramas de álcool por litro de ar expelido pelos pulmões — um índice quase oito vezes maior que o permitido pela legislação. O rapaz está preso na carceragem do Departamento de Polícia Especializada (DPE), vai responder por dirigir embriagado e pode pegar de seis meses a três anos de prisão.

A batida ocorreu por volta de 23h30 de sábado (23/08), no sentido Lago Sul/Plano Piloto. André da Silva dos Santos, 31 anos, dirigia o Gol atingido na traseira. Ele estava acompanhado das amigas Natália Nonato dos Santos, 19, Daiane Almeida de Lima, 16, e Joana Paula de Almeida, 24. O grupo mora no Paranoá e seguia para o show da banda Calypso, em Taguatinga. Diego, morador da Asa Norte, voltava de um churrasco na casa de amigos no Lago Sul e confessou aos policiais ter bebido algumas doses de vodca.

O acidente ocorreu de forma muito parecida com o provocado por Paulo César Timponi, que matou três mulheres em outubro do ano passado (veja Memória). Mas, desta vez, o fim não foi trágico. Com o impacto da batida, o Gol rodou na pista, capotou e parou com as quatro rodas viradas para cima. Diego, no entanto, não conseguiu frear imediatamente. Ele só parou no fim da ponte, a uma distância de 200 metros de onde bateu no Gol, depois de passar, inclusive, pela contramão da via. “Ele deveria estar em alta velocidade para fazer um carro capotar”, afirmou a delegada de plantão da 10ª DP (Lago Sul), Andiara de Rezende.

Diego, e as quatro vítimas da batida, foram levados ao Hospital de Base e liberados em seguida. “O condutor tomou soro no hospital e, mesmo assim, o etilômetro acusou embriaguez”, contou a delegada. Diego estava visivelmente embriagado, com dificuldades de andar e falar. “Ele não quis falar sobre o acidente porque não se lembrava de nada”, ressaltou Andiara. Ela fixou fiança de R$ 1,2 mil, mas o rapaz não pagou e está preso. Além disso, levou multa de R$ 957 e pode perder a carteira por um ano.

O Departamento de Trânsito do DF (Detran) intensificou as operações para flagrar motoristas sob a influência do álcool na madrugada de quarta-feira. No fim de semana, os agentes fizeram blitzes em Taguatinga, Ceilândia, Gama, Guará e na Ponte JK. Além disso, equipes circularam pelo Plano Piloto. Assim, 26 condutores foram autuados por dirigirem após beber, número que está dentro da média de flagrantes feitos pelo Detran nos finais de semana. “Muita gente ainda aposta na impunidade”, lamentou o chefe de Fiscalização do Detran, Silvain Fonseca. Segundo ele, 1.257 multas por embriaguez foram processadas pelo órgão desde o começo do ano — 454 delas depois que a lei seca entrou em vigor há dois meses.

O número
Desde quarta-feira, 26 motoristas foram flagrados ao volante depois de beber


Memória
Tragédias no mesmo lugar

Em outubro de 2007, o Golf conduzido por Paulo César Timponi bateu na traseira de um Corolla na Ponte JK. Com o impacto, três mulheres que estavam no banco de trás do carro foram arremessadas para fora do veículo e morreram na hora. Laudo da Polícia Civil apontou que o Golf trafegava a 130km/h e o Corolla estava a 60km/h. No carro de Timponi, foram encontrados uma lata de cerveja, uma garrafa de uísque e vestígios de maconha e cocaína. Após a batida, Timponi fugiu sem prestar socorro às vítimas. Agora, ele está preso e aguarda julgamento.

No Dia das Mães deste ano, o motorista da Câmara dos Deputados Felipe Gonçalves de Souza Cruz, 47 anos, invadiu a pista oposta e bateu de frente com um Logan na via S3, nas proximidades da Ponte JK. O acidente deixou cinco feridos. Segundo testemunhas, o motorista do Palio seguia no sentido Lago Sul/Plano Piloto em alta velocidade e fazendo ziguezague para ultrapassar os outros carros. O laudo do Instituto de Medicina Legal (IML) apontou que Felipe estava embriagado e tinha usado maconha.

Em 27 de abril deste ano, o analista de sistemas Igor de Rezende Borges, 25, dirigia um Peugeot em alta velocidade na DF-001. Testemunhas diziam que ele tinha sinais de embriaguez , mas os advogados de defesa apresentaram laudo oficial que não confirma a versão da alcoolemia. Testemunhas afirmam que o jovem fazia ziguezagues na pista, quando atingiu um Vectra que vinha no sentido oposto. Cinco pessoas morreram. Igor está preso e será julgado pelo júri popular por homiocídio doloso. O julgamento ainda não tem data marcada.

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