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Correio Braziliense

Rotina de execuções no Entorno do DF

Levantamento feito pelo Correio com base nos dados do IML de Luziânia indica que os crimes contra a vida registrados no Entorno aumentaram nos sete primeiros meses de 2008


postado em 28/08/2008 08:54 / atualizado em 28/08/2008 09:57

O sistema de Segurança Pública de Goiás não conseguiu controlar a matança na região do Entorno do Distrito Federal, onde estão os 14 municípios goianos mais próximos a Brasília. Apesar da presença da Força Nacional de Segurança (FNS), que há um ano tem base operacional na área, o total de crimes contra a vida cresceu entre janeiro e julho deste ano (confira arte). Levantamento feito pelo Correio com base nos dados do Instituto Médico Legal (IML) de Luziânia, responsável pelos registros oficiais de homicídios e lesões corporais, mostra que nos primeiros sete meses de 2008 o número de pessoas assassinadas aumentou 5,7% em comparação com o mesmo período do ano passado, passando de 227 para 240 executados. Isso significa, em média, mais de uma pessoa morta a cada dia no período. » Em 2007, matérias já denunciavam as execuções Este ano começou violento no Entorno. Nos 31 dias de janeiro, o IML registrou 37 assassinatos. Mas março teve a maior incidência desse tipo de crime, com a oficialização de 48 homicídios. Em abril, foram 38. No mesmo mês de 2007, a polícia registrou metade de execuções. Em três dos sete meses pesquisados, foram registrados pelos legistas um número maior de assassinatos em comparação com os mesmos meses do ano passado. “A Segurança Pública na região virou um caos. A violência é ainda maior por causa da omissão e da incapacidade administrativa do governo. Chega a ser uma irresponsabilidade”, comentou o presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Goiás, João Antonelli. Os registros do IML mostram que a violência é pesada no Entorno. Quase todos os assassinatos foram praticados por arma de fogo. Em junho e julho últimos, por exemplo, as mortes provocadas por vários tipos de balas foram quase a totalidade dos registros. Dos 33 homicídios de junho, 30 foram provocados por tiros. Em julho, 21 dos 27 mortos tombaram da mesma forma. Isso significa que a população continua armada, apesar das batidas realizadas pela FNS.

» Escalada da Violência Clique na imagem para ampliar
Além de arma de fogo, os criminosos também utilizam facas, facões e outras armas brancas. O IML registra um número significativo de mortes por espancamento. Há ainda casos de homicídios por estrangulamento. Nos cinco últimos meses do ano passado pesquisados, 181 pessoas foram assassinadas, de acordo com os dados do IML. De janeiro a maio deste ano, em plena atuação da Força Nacional de Segurança na região, os assassinatos chegaram a 180. O governo federal decidiu instalar um quartel fixo na FNS em Luziânia para tentar manter sob controle a criminalidade na região. Lesões O IML de Luziânia também registra casos graves de lesões corporais. Entre janeiro e julho do ano passado, 2.394 pessoas sofreram os mais diversos tipos de ferimentos. No mesmo período de 2008, foram 2.506 pessoas agredidas, um crescimento de 4,6%. Entre esses casos estão as tentativas de homicídio. O mês mais violento de 2008 nesse tipo de crime foi julho, com 377 pessoas gravemente feridas, inclusive a balas. No mesmo mês do ano passado foram 400. Em muitos casos, as vítimas ficaram com seqüelas permanentes. Os dados sobre estupros são igualmente preocupantes. Entre janeiro e julho de 2007, 97 mulheres foram estupradas, cinco a mais do que no mesmo período deste ano. É uma redução discreta e revela somente os registros em que as vítimas foram à delegacia e aceitaram fazer exames de corpo de delito para a abertura de inquérito. No ano passado, uma série de reportagens do Correio sobre a violência contra mulheres adultas e adolescentes no Entorno mostrou que há um grande número de vítimas que não denuncia os violentadores à polícia. Os números do IML obtidos pelo Correio não são muito diferentes das estatísticas divulgadas pelas Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO). Entre janeiro e julho deste ano, de acordo com os dados oficiais, foram registrados 220 homicídios formalizados em inquéritos concluídos pelos delegados e enviados aos promotores. No mesmo período do ano passado, foram 209 assassinatos. A SSP-GO constatou uma queda de tentativa de homicídios na região — os registros passaram de 159 para 134. A secretaria confirmou um aumento no número de furtos a pessoas, a veículos e a lojas ou escritórios. A Secretaria de Segurança Pública goiana comemora a redução do total de latrocínios nos sete meses analisados em 2007 e 2008. Também caiu o número oficial de estupros, de 58 para 44 ocorrências. Os demais crimes não fatais registrados nas delegacias, como furto a residências e de veículos, também tiveram queda, segundo os dados oficiais. O Sindicato dos Policiais Civis de Goiás teme, que com o fechamento das delegacias da região à noite, o número oficial de crimes tenha caído por falta de local para atendimento das vítimas.

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