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Correio Braziliense

Barão do ecstasy agia em mais três estados

 


postado em 04/09/2008 08:54 / atualizado em 04/09/2008 08:55

A polícia tem informações de que a quadrilha de tráfico de drogas comandada pelo publicitário Michelle Tocci, 36 anos, conhecido como Barão do Ecstasy, mantém núcleos em pelo menos três estados, além do Distrito Federal. Os investigadores reuniram indícios da venda e repasse de LSD, ecstasy e skank (maconha potencializada em laboratório) em São Paulo, Rio de Janeiro e Florianópolis (SC). Alguns dos integrantes seriam os mesmos presos em 2005, após denúncia de envolvimento em quadrilha de tráfico internacional também chefiada por Tocci. Os acusados ficaram presos, na época, por no máximo 15 dias, inclusive o publicitário. Foram soltos depois que o Tribunal Regional Federal (TRF) concedeu habeas corpus para que respondessem pelos crimes em liberdade. Fontes da Secretaria de Segurança Pública do DF também revelaram ao Correio que a quadrilha se reorganizou logo em seguida e espalhou as ações pelo país. “Ele (Tocci) domina hoje o tráfico de drogas sintéticas no Centro-Oeste. Os núcleos ainda conversam entre si”, afirmou um investigador. O Barão do Ecstasy voltou à prisão na tarde de terça-feira. Operação da Coordenação de Repressão às Drogas (Cord) o surpreendeu no apartamento onde mora com a família, no Sudoeste. Acabou detido depois que a polícia prendeu um homem que confessou ter pago R$ 4 mil por 250g de skank. À imprensa, Tocci negou envolvimento com o caso e o tráfico de drogas. Alegou que trabalha com compra e venda de carros em várias capitais. Ainda denunciou perseguição policial. O publicitário, no entanto, era monitorado desde janeiro. Há escutas telefônicas, autorizadas pela Justiça, e depoimentos que o ligam à atividade ilegal. As provas contra ele também detalham parte das ações do grupo no Distrito Federal. Há, por exemplo, redes infiltradas em festas de música eletrônica e em campeonatos de esportes náuticos — Tocci se dedica ao wakerboard e ganhou campeonatos disputados no Lago Paranoá. Os principais consumidores de ecstasy e ácido lisérgico, porém, são mesmo os freqüentadores de raves. Os entorpecentes causam sensação de euforia e prazer e funcionam como combustível para horas de diversão ao som de música eletrônica. Tocci teve a prisão preventiva decretada pela 2ª Vara de Entorpecentes na segunda-feira. A expectativa da polícia é de que ele permaneça preso até o julgamento. Existe o temor de que o publicitário consiga um habeas corpus, a exemplo de 2005. Se não houver novidade, ele sairá amanhã do cárcere no Departamento de Polícia Especializada (DPE) diretamente para o Complexo Penitenciário da Papuda. As apreensões da Cord de drogas sintéticas crescem a cada ano. Entre 2004 e agosto de 2008, a especializada recolheu 3.651 comprimidos de ecstasy — nos primeiros oito primeiros meses deste ano, foram recolhidos 2.050.

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