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Correio Braziliense

Construção de muretas no eixão sofre adiamento

 


postado em 22/10/2008 08:25 / atualizado em 22/10/2008 09:10

A colocação de muretas na faixa central do Eixão foi adiada, mas o governo não voltou atrás. Ao contrário. A decisão está tomada: os tachões amarelos que hoje dividem as pistas serão mesmo substituídos por muros de concreto de 85cm de altura. O corredor criado pelas barreiras abrigará um jardim com plantas espinhosas, para evitar que pedestres atravessem a rodovia. A obra começaria este mês, como anunciou em maio o secretário de Transportes, Alberto Fraga. Mas o projeto não ficou pronto a tempo. Se a licitação correr sem problemas, a construção terá início em dezembro e será entregue quatro meses depois, antes do aniversário de 49 anos de Brasília. As muretas fazem parte de uma intervenção ampla no Eixo Rodoviário, que inclui a revitalização das 18 passagens subterrâneas e a construção de 16km de ciclovia. O investimento total, estimado em cerca de R$ 35 milhões, virá do empréstimo de US$ 176 milhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) previsto para o programa Brasília Integrada. Como o projeto das muretas é o mais adiantado, Fraga pretende pedir, na semana que vem, a liberação de parte da verba — cerca de R$ 5 milhões — para tocar a obra. “Se eu sentir que os outros dois projetos vão atrasar muito, peço para desmembrar o das barreiras”, afirmou o secretário. A principal esperança do governo com a construção das barreiras é acabar com as colisões frontais no Eixão. Uma delas ocorreu na manhã de 16 de abril passado. Quatro pessoas morreram e sete ficaram feridas em um batida que envolveu quatro carros na altura da 202/203 Sul. A tragédia reacendeu a idéia da construção de muretas no Eixão, discutida há pelo menos 12 anos. As barreiras serão erguidas em toda a extensão da rodovia. Próximo à Rodoviária do Plano Piloto, onde não existe a faixa presidencial, haverá uma mureta única, sem jardim. O projeto prevê seis saídas de emergência, três na Asa Sul e três na Asa Norte. Esses intervalos poderão ser usados pela polícia, Corpo de Bombeiros, ambulâncias ou veículos à espera de guincho. “O projeto vai dar nova vida ao Eixão”, disse Fraga. O jardim entre a proteção de concreto terá a conhecida coroa-de-cristo, um arbusto espinhoso. “Se não tiver espinho, as pessoas vão continuar passando por cima e não pelas passagens subterrâneas”, justificou o diretor-geral do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-DF), Luiz Carlos Tanezini. Até a semana que vem, os técnicos do DER ainda precisam definir por onde escorrerá a água da chuva e a usada para regar o jardim. “Esse será o ponto mais crítico da obra. Teremos de criar bocas-de-lobo”, adiantou. Chuvas Dezembro é mês de chuva em Brasília. No entanto, Tanezini garante que a obra não será interrompida pelo tempo instável. Por motivo de segurança, uma faixa em cada um dos sentidos do Eixão será interditada durante o trabalho. “Mas apenas no trecho onde a equipe estiver trabalhando”, explicou o diretor do DER. A obra começará da Rodoviária do Planto Piloto em direção ao Eixão Norte — trecho que deve ficar pronto em dois meses. Depois, serão mais dois meses de trabalho no Eixão Sul. O modelo das barreiras é conhecido como New Jersey (veja arte). A estrutura faz com que seja quase impossível um carro passar por cima do obstáculo. Em 2007, o Departamento de Trânsito (Detran) registrou 14 acidentes com morte no Eixão. Neste ano, até agosto, foram seis. A proposta sempre esbarrou em pareceres contrários do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Em 2000, o superintendente na época, Marcelo Britto, reforçou que a proposta contrariava o projeto original de Brasília. A autorização da obra veio em maio deste ano, na gestão do atual superintendente, Alfredo Gastal. Na avaliação dele, o projeto, da forma como está, não fere o tombamento. “A preservação da vida se sobrepõe a qualquer coisa. Mas, se é possível preservar a vida e não desrespeitar o tombamento, como é o caso, melhor ainda”, disse Gastal. O número Custo R$ 35 milhões É o valor pedido pelo governo do DF ao BID para revitalizar o Eixão, o que inclui a instalação das barreiras e de uma ciclovia, além da reforma das passagens subterrâneas

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