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Correio Braziliense

Fotógrafo do Correio é homenageado

Para comemorar 35 anos no jornalismo brasiliense, amigos, funcionários e ex-funcionários promoveram uma festa para homenageá-lo.


postado em 12/11/2008 14:00 / atualizado em 14/11/2008 10:22

O repórter fotográfico Adauto Cruz completou em agosto 35 anos de profissão, todos dedicados ao Correio Braziliense. “Meu Lindo”, como Adauto é conhecido, já poderia ter se aposentado por tempo de serviço, ou mesmo pela idade (70 anos). Mas o amor pela fotografia faz com que ele continue trabalhando. Para comemorar esta longa jornada no jornalismo brasiliense, amigos, funcionários e ex-funcionários promoveram na noite desta terça-feira (11/11) uma festa no restaurante Feitiço Mineiro. A dupla Augusto e Cristiano cantou clássicos sertanejos, gênero musical preferido do homenageado. Fotos que marcaram a carreira de Adauto, e imagens ao lado dos inúmeros colegas de profissão também estavam em exibição. Porém, o momento mais esperado da noite foi a apresentação de um vídeo com depoimentos de amigos, familiares e do próprio homenageado. Em vários momentos Adauto não conteve a emoção. No vídeo, a origem do apelido carinhoso foi revelada. Histórias do inicio da profissão e os momentos mais importantes também fazem parte do trabalho, produzido por funcionários do Correio Braziliense. [VIDEO1] A colunista Conceição Freitas, sempre atenta aos fatos importantes que marcam o cotidiano da Capital Federal, publicou ontem (11/11) na edição impressa do Correio, um artigo onde conta um pouco da trajetória do “Meu Lindo”. Confira. Faz 35 anos que Meu Lindo se chama Meu Lindo. Mas pode ser chamado também de Lindinho e Lindo. Nada menos que isso. Antes, o nome dele era Doutor. Meu Lindo sofre do mesmo mal que eu: tem memória de lesma para nomes, se é que lesma tem memória. Para não passar por arrogante, coisa que nem de longe é, ele chama todo mundo de Meu Lindo, Minha Linda. Daí, o apelido. No tempo em que era garçom do Brasília Palace Hotel, lá se vão 40 anos, Adauto Cruz chamava autoridades e hóspedes em geral de Doutor. "Já fui Doutor e agora sou Meu Lindo, mas não sou tão bonito assim...", diz ele, bem falsinho, na véspera de comemorar 35 anos de fotojornalismo aos 70 de vida. Tivesse publicado uma única foto em cada uma das edições do Correio nesse período, Meu Lindo teria mais de 12 mil fotos publicadas. Mas quem é fotógrafo de jornal nunca faz menos de três pautas por dia e cada pauta rende dúzias de fotos. Portanto, Meu Lindo já deve ter feito mais de 300 mil fotos, das quais deve ter publicado não menos de 20 mil, em conta rasa. O grande barato de um fotógrafo de jornal é ter sua foto na primeira página. Pois então, morram de inveja, retratistas: Meu Lindo emplacou foto na primeira durante 29 dias subseqüentes, no tempo em que Renato Riella era o editor do jornal, na década de 80. "Foi sorte, Linda. Fui empolgando, empolgando e queria conseguir os 30, mas no trinta não tive mais sorte." Meu Lindo saiu de Ivolândia, Goiás, em 1957, no rastro da utopia. Quando chegou aqui, só conseguiu trabalho numa cascalheira. Tinha que tirar o mato do terreno, arrancar as pedras, lavá-las e carregá-las para o caminhão. As mãos do Meu Lindo tinham nascido para a fotografia e estavam sendo corroídas pelas pedras que iriam erguer a nova cidade. Lindinho largou a pedreira e foi trabalhar como frentista, mas também não achou gosto naquilo e foi pra Goiânia. Lá, arranjou emprego de eletricista, mas caiu de um poste de energia elétrica e desistiu das alturas. O jeito foi voltar pra Brasília. Chegou com o contato de um amigo que trabalhava no Brasília Palace Hotel. Foi ser copeiro, depois caixa, em seguida ajudante de garçom e mais tarde garçom. Meu Lindo ainda era Doutor quando se encantou com as fotos publicadas na primeira página do Correio - "A cidade era tão bonita. O jornal publicava aquelas fotos de seis colunas (que ocupam toda a largura da mancha gráfica) e eu achava aquilo tudo um sonho e queria conhecer pelo menos um fotógrafo daqueles. Pensava que não tinha nunca capacidade para trabalhar em jornal". Até que o destino lhe desenhou uma surpresa. Ele conheceu um ex-fotógrafo do Correio que o apresentou ao chefe da fotografia e este lhe ofereceu emprego de laboratorista. Um ano depois, já estava na rua cumprindo pauta. Adauto ganhou um novo emprego, um novo ofício, uma nova vida e um novo nome. Vou parar por aqui, porque hoje tem festa pro Meu Lindo e com música sertaneja, que ele adora.

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