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Correio Braziliense

Faltam remédios para combater toxoplasmose

 


postado em 26/11/2008 07:56 / atualizado em 26/11/2008 08:30

Grávida de três meses, a dona-de-casa Elisângela Duarte, 25 anos, está há 15 dias angustiada com a possibilidade do filho que ainda não nasceu ser afetado pela toxoplasmose. A doença infecciosa, causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, é inofensiva para os adultos, mas pode ter seqüelas devastadoras para o feto, como a perda da visão. Exames de rotina do pré-natal detectaram a doença em 12 de novembro. Desde então, ela e o marido Onildo Tiotônio, 32, correm em busca dos medicamentos Rovamicina e Neo Folico, em falta na rede pública de saúde e que podem representar um custo mensal de R$400 se comprado nas farmácias. A dona-de-casa precisa tomar, diariamente, seis comprimidos de Rovamicina e dois comprimidos de Neo Folico. Cada caixa de Rovamicina custa R$ 38,06 e contém 16 comprimidos. Para passar o mês são necessários 180 comprimidos da medicação, que deve ser tomada até o nono mês de gestação. De acordo com a Secretaria de Saúde, em 2008 foram registrados 63 casos da doença em gestantes e 26 casos de toxoplasmose congênita, quando o bebê é infectado pela mãe. A carência dos remédios na rede pública levou a defensora pública Emanuella Maria de Sabóia Furtado a entrar com uma ação na primeira Vara de Fazenda Pública contra o Distrito Federal. O processo pedia a antecipação de tutela para obrigar o governo a comprar os medicamentos em um prazo máximo de 48 horas, mas até o fechamento desta edição nenhuma decisão havia sido tomada. Após a detecção da doença, Elisângela foi encaminhada para o Hospital Regional de Taguatinga (HRT) onde sua saúde é acompanhada no pré-natal de alto risco. No local, ela e o marido foram informados pela assistente social que apenas a farmácia do Gama teria o medicamento, mas por lá o remédio não chega há algum tempo — ao Correio, a farmácia informou que não recebe o remédio há cerca de três meses. Segundo um funcionário, a Rovamicina tem sido procurada por pessoas da cidade e de outros locais, como Planaltina e Ceilândia. Ainda muito abalados com o diagnóstico, o casal que mora em Samambaia e espera o segundo filho conseguiu comprar três caixas de Rovamicina e duas caixas de Neo Folico para iniciar o tratamento. Mas os remédios, suficientes para apenas seis dias, terminaram ontem. “Fomos no HRT e conseguimos com a assistência social um cheque para comprar mais três caixas de Rovamicina, mas ela só vai durar outros três dias”, relatou Onildo. Enquanto lutam pelo medicamento que pode garantir a saúde do filho, o casal reclama da falta de apoio do estado e da demora em resolver a questão. “No momento em que recebi a notícia chorei muito. Tenho medo de que a doença já tenha prejudicado o bebê. Imagine ter um filho deficiente para o resto da vida por irresponsabilidade do governo?”, questionou Elisângela. Seqüelas De acordo com um médico da Secretaria de Saúde, após o resultado positivo o tratamento deve ser iniciado imediatamente. Ele explica que a mãe não corre riscos e que a maior vítima é o feto, ainda em formação, que pode ter retardamento mental, microcefalia e surdez. “Quanto mais cedo iniciar o tratamento, menores são as chances de seqüela”, afirmou. Segundo a Secretaria de Saúde, o Neo Folico está disponível, mas desde o ano passado não é feita a compra da Rovamicina em razão de não haver fornecedores nas licitações. A afirmação é desmentida por Onildo, que afirma ter procurado pelo Neo Folico nos postos de saúde 4, 6 e da Policlínica, em Taguatinga. Em abril deste ano, uma ação emergencial comprou 15 mil comprimidos que acabaram no início de outubro. “A informação que temos da farmácia central é que não tem nenhum medicamento de Rovamicina e não há previsão de quando ele chegará. Infelizmente não tem jeito porque temos que respeitar a lei de compra de medicamento ”, declarou Paulo Fernando Andrade, gerente de assistência farmacêutica. Leishmaniose afeta mais um A Secretaria de Saúde confirmou o quarto caso humano de leishmaniose no Distrito Federal em 2008, todos em Sobradinho. Com o caso registrado em outubro, o número este ano supera o de infectados no ano passado, quando três pessoas contraíram a doença. Desde 2005, com a primeira manifestação em humanos, essa é a 15ª ocorrência no DF, sendo que apenas em duas ocasiões o fato não aconteceu na região de Sobradinho. Mas a secretaria não descarta o risco de contaminação em outras áreas, como no Lago Norte, onde dados apontam a existência de mil cães doentes. A presença de animais infectados e mosquitos transmissores implica no risco de aparecimento de casos humanos.

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