Cidades

Curvas e formas de Brasília influenciam designers a criar jóias com a cara da capital

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postado em 30/11/2008 08:20
As formas modernas repletas de curvas e retas que compõem Brasília e encantam turistas e moradores da cidade agora podem ser exibidas como adornos dos apaixonados pelos traços do urbanista Lucio Costa e do arquiteto Oscar Niemeyer. São colares, anéis, pingentes e brincos inspirados na capital e que nas mãos de designers talentosos ganham as ruas em forma de declaração de amor pelo sonho de Juscelino Kubitschek. Em ouro ou prata, as jóias remetem a pontos turísticos da cidade: Catedral, Congresso Nacional e Museu da República.

O traçado simples e ao mesmo tempo inovador do projeto do Plano Piloto é quase unânime entre os designers. A utilização de ícones da capital faz parte da identidade criativa dos artistas que se formaram na cidade. Os profissionais já pensam em transformar Brasília em pólo reconhecido pela confecção de jóias de qualidade e com desenho inovador.

Em um ateliê montado dentro de casa, na Asa Norte, o mineiro Fernando Mundim, 41 anos, produz peças inspiradas nas formas sinuosas da cidade que aprendeu a amar como legítimo brasiliense. Quando não está criando, Fernando se dedica a ensinar as técnicas aprendidas em família na escola que montou há 18 anos. Por lá passaram designers conhecidos internacionalmente pelo arrojo, caso de Carla Amorim.

O mineiro apresenta com orgulho as obras que mostram sua ligação com a capital. O anel Asas de um sonho, inspirado no projeto de Lucio Costa, confeccionado em ouro amarelo com cristais da região, demorou um mês e meio para ser concluído. O esforço valeu a pena. A peça foi exposta em seis museus mundo afora. Já o brinco Curvas da cidade, em ônix e prata, brinca com as curvas das tesourinhas. ;Estou sempre em busca de novos desafios, procurando fazer um trabalho inventivo, que saia do convencional. Todo mundo conhece as peças produzidas em Brasília porque elas têm uma identidade importante com o projeto da cidade;, analisa.

Fazendo escola
Pernambucana de nascimento e brasiliense por opção, Patrícia Madeira, 44 anos, começou sua trajetória na produção de jóias na escola de Fernando Mundim. De maneira despretensiosa, iniciou o trabalho há sete anos movida pela curiosidade. Logo passou a confeccionar peças para uso próprio que não demoraram a encantar amigas e conhecidas. A convite de uma empresária, aceitou o desafio de produzir uma catedral para ser usada como pingente.

A funcionária pública da Secretária de Educação gostou do conceito e começou a produzir outros pingentes com os Dois Candangos, Memorial JK e Plano Piloto. Os anéis com os croquis do Congresso e da Catedral, além da charmosa peça inspirada no trabalho de Athos Bulcão para a fachada do Teatro Nacional, integram a coleção com a cara da cidade.

;As pessoas gostam desse tipo de trabalho que fazemos. São peças que chamam a atenção nas ruas, além de externar o amor pela cidade. Enquanto as pessoas pedirem vou continuar fazendo;, afirma.

Para a artista plástica Fátima Bueno, 57, a entrada no mundo das jóias veio após sete anos dedicados à produção de esculturas e móveis em madeira. A admiração pela capital resultou em colares com as cúpulas do Congresso Nacional e do Museu da República. Qualquer imagem da cidade serve de inspiração. Até mesmo a disposição dos blocos da 108 Sul serviu para a criação de um pingente. ;O público é receptivo a essa proposta de mostrar a cidade de uma maneira diferenciada;, comenta Fátima.

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