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Correio Braziliense

Instituto de cardiologia gaúcho vai gerir Incor-DF

 


postado em 06/01/2009 08:13 / atualizado em 06/01/2009 08:39

A administração do Instituto do Coração do Distrito Federal (Incor-DF) vai mudar de mãos. Até o fim do mês, a Fundação Zerbini vai se afastar da instituição para se dedicar exclusivamente ao Incor do Hospital das Clínicas (HC) de São Paulo. Até a próxima semana, deve ser anunciado o nome da entidade que ficará responsável pelo hospital. Atualmente, existe uma negociação entre o Ministério da Defesa, dono da área onde está o Incor, a Zerbini e o Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul (IC-RS). O Ministério, no entanto, assegura que o atendimento no hospital não corre o risco de ser paralisado, pois existe um acordo para que a Zerbini só deixe a gestão depois que outra entidade for escolhida para substituí-la. A Zerbini comunicou o afastamento do Incor-DF ao Ministério da Defesa em outubro do ano passado. Na época, a fundação estabeleceu uma data para deixar a gestão do hospital: 19 de dezembro. Mas a Defesa pediu que a entidade sugerisse uma instituição para substituí-la e a indicação só chegou ao ministério na segunda quinzena de dezembro. Assim, o prazo foi adiado e uma nova data não foi marcada. A assessoria de imprensa do órgão afirmou que “embora a Fundação Zerbini tenha fixado a data de 19 de dezembro, o prazo de saída dependerá da evolução das negociações com o Ministério”. Desde dezembro, há um acordo sendo costurado com o Institutito de Cardiologia do Rio Grande do Sul. Segundo a assessoria de imprensa do Ministério da Defesa, a indicação do instituto foi aprovada e, no momento, a Zerbini e o IC-RS estão em um processo de “entendimento”. O ministério ressaltou que o instituto ainda não foi oficialmente escolhido, mas é possível que alguma decisão sobre a substituição seja anunciada na próxima semana. O diretor-presidente do IC-RS, Ivo Nesralla, foi procurado pelo Correio, mas estava fazendo uma cirurgia e não retornou as ligações até o fechamento desta edição. Em 2007, o Incor-DF atendeu 27,9 mil pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e outros 23,4 mil por planos de saúde ou pagamento particular. Ontem, os diretores da Fundação Zerbini não foram encontrados pela reportagem. De acordo com a direção da entidade, o presidente, Ernei Camargo, estaria voltando de uma viagem ao exterior e chegaria ao Brasil hoje de manhã. A assessoria de imprensa da fundação disse não saber em que pé estavam as negociações para a saída da entidade do Incor-DF. Crise O Incor-DF abriu as portas em novembro de 2004 e é administrado pela Zerbini desde então. Uma crise atingiu o hospital dois anos depois da inauguração. Em novembro de 2006, o Incor-DF anunciou a demissão de 20% dos 560 funcionários. O motivo seria um rombo financeiro no Incor de São Paulo de R$ 245 milhões. A entidade, então, teve que receber injeção de recursos do governo de São Paulo para sobreviver. Para assumir uma dívida de R$ 120 milhões com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o governo paulistano exigiu a saída da administração do Incor-DF, corte de pessoal e redução de salários acima de R$ 16 mil. No início de dezembro de 2006, o Incor-DF deu aviso prévio aos funcionários e pediu para a Secretaria de Saúde transferir os pacientes internados. O promotor de Defesa dos Usuários dos Serviços de Saúde, Diaulas Ribeiro, entrou na Justiça com ação civil pública para garantir o funcionamento do hospital. O GDF também tentou adiar a saída da Zerbini do Incor-DF, com medo de que o hospital fechasse as portas. Em março de 2008, o governador José Roberto Arruda fez um acordo com o então governador de São Paulo, José Serra, para que a Zerbini continuasse na gestão até dezembro do ano passado. Em troca, reajustou os repasses para o hospital de R$ 1,25 milhão para R$ 2,3 milhões. Também ficou acertado que o GDF encaminharia um número maior de pacientes da rede pública para as instalações do Incor. O secretário de Saúde, Augusto Carvalho, não quis se manifestar sobre a saída da Zerbini.

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