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Correio Braziliense

Quase uma hora na fila do táxi

Na noite de domingo, teve gente que demorou até 40 minutos para pegar um dos carros que fazem ponto no lugar. Problema se agrava porque muitos passageiros ignoram a ordem de chegada


postado em 06/01/2009 08:11 / atualizado em 06/01/2009 08:19

Acostumado a enfrentar filas no check-in antes de viajar, o brasiliense teve de aturar mais uma dor de cabeça no aeroporto na volta do feriado: a fila do ponto de táxi. Dezenas de passageiros se aglomeraram na saída do andar de desembarque do Aeroporto Juscelino Kubitschek à espera de transporte na noite de domingo e na manhã de ontem. Para pegar um táxi, alguns viajantes aguardaram até 40 minutos em pé. O problema diminuiu no fim da manhã desta segunda, quando a espera era de até 15 minutos. Quando um novo voo chegava, a fileira de gente seguia até a altura do guichê de pagamento do estacionamento. Em solo brasiliense, o aviador José Silva, 50 anos, teve que entrar na fila para conseguir um táxi disponível no ponto do aeroporto. Só 15 minutos depois, ele entrou no carro. A fila do táxi foi a segunda do dia — antes de viajar, ele aguardou quase uma hora para fazer o check-in no Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim (Galeão), no Rio de Janeiro. “É a primeira vez que pego uma fila dessa aqui”, ressaltou. A espera não parou por aí: o avião atrasou meia hora para decolar. “O Galeão estava tumultuado, com uma fila absurda. Pensei que fosse atrasar mais por causa disso”, lembrou. O casal de médicos Francisca Magalhães, 36 anos, e Wladimir de Paula, 33, levou cerca de 10 minutos para pegar um táxi. A fila tinha aproximadamente 40 pessoas e demorou a andar, mas não desanimou o casal. “Estava esperando coisa pior, imaginei que seria igual ano passado”, disse Wladimir. Os médicos saíram de Maceió às 4h de ontem e não sofreram atraso nas conexões. “Na ida, tivemos meia hora de atraso, mas a gente está voltando de férias, tá tudo bem”, comentou Francisca. Monitores Para organizar a fila de passageiros, o Sindicato dos Permissionários e Motoristas de Táxi do DF mantém monitores no ponto de táxi 24h por dia. Um deles organiza o início da fila e encaminha os clientes ao carro por ordem de chegada. Outro coordena o trabalho e uma terceira pessoa é encarregada de enviar os táxis ao ponto de acordo com a demanda. Ele libera os veículos em levas de 15. Quando os táxis que estão no desembarque começam a acabar, ele manda mais 15. De segunda a quarta-feira, entre 800 e 1 mil veículos fazem ponto no aeroporto. Entre quinta-feira e domingo, o número cai para 250. A presidente do sindicato, Maria Bonfim, explica que o serviço de monitores é prestado pela entidade para controlar o fluxo. Além de gerenciar a demanda de clientes, eles orientam os motoristas a não recusar corridas pequenas e malas grandes. Segundo ela, às vezes, há demora no atendimento porque os veículos esperam em um estacionamento reserva. “Quando chamam para atender o aeroporto, alguns demoram um pouco para descer. Nossos funcionários têm se dedicado, mas no feriado estava uma loucura”, comentou. O taxista José Dias, 39, trabalha no local há 6 anos e já presenciou discussões entre passageiros que disputavam uma vaga no carro. Segundo ele, o critério é de chegada, mas nem sempre é possível saber quem chegou primeiro. “Quando está bagunçado, não dá para ver quem está na frente”, afirmou. José lembra que há casos de passageiros que entram direto no carro. Segundo os monitores, o fluxo de passageiros é intenso às segundas, quartas e sextas-feiras, mas sempre aumenta em época de feriado. Para o taxista Fábio Rodrigues de Souza, 32 anos, o problema ocorre quando o passageiro não percebe a fila e passa na frente de outra pessoa. “Os que chegam pelo terminal 5 (do lado oposto ao desembarque principal) não veem a fila e entram”, afirmou. Voos de Brasília partem com atraso Além de entrar na fila por um táxi, turistas que escolheram viajar de avião tiveram que esperar para embarcar em parte dos voos. Das 0h às 11h de ontem, dos 62 voos programados para deixar o Aeroporto Internacional JK, 21% atrasaram. O volume de atrasos ultrapassou e muito a média nacional: das 799 decolagens marcadas em todo o país, 10,6% saíram depois do horário previsto. Apesar dos atrasos, o movimento no check-in e na sala de desembarque do Aeroporto JK era calmo no fim da manhã. Quem vinha de outros aeroportos do país sofreu menos com os atrasos nas partidas. Em Congonhas (SP), por exemplo, o índice era de 2,4%, quase 10 vezes menor que o de Brasília. A publicitária Liliana Depieri, 25 anos, e o empresário Rodrigo Azevedo, 27, voltaram do réveillon em São Paulo, por volta das 11h, e não tiveram problemas. “O voo saiu na hora. Dificilmente você pega um voo que não atrasa, estamos até acostumados”, comentou Rodrigo. Rodoferroviária O movimento da Rodoferroviária de Brasília também estava tranquilo pela manhã. No subsolo, onde está sendo realizado o desembarque, apenas algumas famílias aguardavam a chegada de parentes. A estudante Kananda Basílio, 12 anos, veio com a mãe de Irecê (BA) e se surpreendeu com a calmaria. “Tá vazio aqui, achei que ia ter mais gente de férias”, afirmou. A empregada doméstica Célia Pereira do Nascimento, 29 anos, passou 21 horas dentro de um ônibus para fazer o trajeto Irecê — Brasília. O veículo atrasou meia hora para sair da cidade baiana e levou três horas a mais que o programado para chegar à capital federal. “A pista estava cheia de buracos e lama. Era pra eu chegar às 7h, mas tivemos que trocar de ônibus e demorou”, lembrou Célia. A doméstica preferiu retornar na manhã de ontem para evitar o tumulto de domingo na Rodoferroviária. “Só vou trabalhar na terça (hoje), achei melhor chegar depois que o pessoal voltasse das festas de fim de ano”, disse. Célia foi para a Bahia na véspera do Natal e enfrentou um terminal lotado. Segundo o balanço da Administração da Rodoferroviária, 10.415 pessoas deixaram Brasília de ônibus entre 29, 30 e 31 de dezembro. Nesse mesmo período, 11.574 pessoas vieram à cidade. Até ontem, os números dos cinco primeiros dias do ano não estavam fechados.

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