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Correio Braziliense

Chuva e vento castigam Ceilândia

 


postado em 10/01/2009 08:47 / atualizado em 10/01/2009 08:50

A chuva voltou a castigar algumas áreas do Distrito Federal. No Plano Piloto, novos alagamentos (leia ao lado), mas foi Ceilândia que sofreu os maiores estragos pelo excesso de água. Bastou uma hora de temporal para que dezenas de casas fossem destelhadas, deixando várias famílias desabrigadas nas QNRs da cidade. Muitas delas passaram o restante do dia na casa de amigos e parentes, enquanto os danos eram consertados. Além da chuva, o vento forte derrubou muros e danificou carros, atingidos pelos escombros. Algumas ruas ficaram intransitáveis por causa da água empoçada. A principal causa do acúmulo de lama é a falta de bocas-de-lobo. “Não há lugar para a água escorrer. Esse engenheiro que projetou isso aqui não pensou nisso”, reclamou a dona-de-casa Lindalva Helena da Silva Gertrudes, 41. O muro na casa dela caiu em cima do carro da família. O Passat de Arlindo Gertrudes Júnior, 44, marido de Lindalva, ficou parcialmente destruído. O motorista de caminhão soube do prejuízo por telefone. “Ele tinha acabado de comprá-lo. Ainda está pagando as prestações”, lamentou Lindalva, que mora na QNR 2. O vizinho dela também teve prejuízo. As telhas arrancadas pelo vento caíram em cima da casa do estudante Noélio Alves Rocha, 16. Uma pedaço acertou o braço dele. Noélio estava na cozinha no momento da chuva, quando a parte da telha caiu sobre o cômodo. “Eu protegi a cabeça com o braço. Depois, saí me arrastando até a sala”, disse. Rodo e vassoura Outra pessoa ficou ferida na QNR durante a chuva. Antônio Assis de Brito, 60, colocou uma pedra em cima da casa para evitar que uma ventania retirasse as telhas. Mas a pedra de aproximadamente um quilo despencou justamente na cabeça dele. Antônio chegou a cair no chão, mas teve forças para se levantar e correr para a rua. “Eu pensei que a casa fosse desabar. Fiquei no meio da chuva”, conta o morador da QNR 5. Ele recebeu atendimento dos bombeiros. Por sorte, a lesão não foi grave. A cena mais vista na tarde de ontem era de pessoas com rodo e vassoura na mão empurrando a água para fora do lote. Enquanto Artur Júnior da Silva Lima, 26, tentava secar a casa, a mãe dele se ocupava de recompor a parte do telhado que ficou destruída. “O vento jogou as telhas para os fundos da casa. Agora, vamos descobrir a garagem para cobrir a parte da sala que está destelhada”, explicou o morado da QNR 4. A dona-de-casa Carmem Janaína Pereira dos Santos vai passar a noite na casa do vizinho. O quarto onde dorme com a filha Ângela dos Santos Gomes, de apenas 3 meses, ficou completamente descoberto. A chuva molhou o armário, colchão e o aparelho de TV. Com a criança nos braços, a moradora da QNR 3 parecia não acreditar no que acabara de acontecer. “Não tenho para onde ir. O jeito é ficar na casa do meu vizinho”, lamentou. O Instituto Nacional de Meteorologia prevê mais chuvas para hoje. Mas não será em todo o DF. “Vai chover em áreas isoladas. Mas não se sabe sobre quais pontos da cidade”, disse o meteorologista Hamilton Carvalho. Para preocupação dos moradores da QNR de Ceilândia, a chuva deve dar trégua somente no domingo, estima o Inmet. Leia mais na edição impressa deste sábado do Correio

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