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Correio Braziliense

Transporte mais caro a partir de domingo

Passagens do metrô passam de R$ 2 para R$ 3, nos dias úteis, e as dos micro-ônibus terão preço único de R$ 1,50. Os ônibus convencionais não tiveram reajuste


postado em 31/01/2009 07:59 / atualizado em 31/01/2009 00:52

Os usuários do transporte público do Distrito Federal pagarão, a partir de amanhã, 50% a mais nas tarifas do metrô e de 77% das linhas de micro-ônibus. No metrô, o bilhete pula de R$ 2 para R$ 3, nos dias úteis e, aos fins de semana e feriados, de R$ 1 para R$ 2. As passagens dos micro-ônibus passam a ter preço único: R$ 1,50, independentemente da linha. Hoje, 56 das 72 linhas disponíveis em todo o DF custam R$ 1. O governador José Roberto Arruda vetou, pelo menos por enquanto, o aumento da tarifa dos ônibus convencionais. De acordo com a Secretaria de Transportes, 82% dos usuários usufruem apenas da frota convencional e, portanto, não serão afetados. Os reajustes constam em um decreto publicado numa edição complementar de ontem do Diário Oficial do DF e foram divulgados no fim da tarde pelo secretário de Transportes, Alberto Fraga. Antes, o secretário foi até a residência oficial do governador, em Águas Claras, colher dele a assinatura que faltava para confirmar as mudanças. Na ocasião, Fraga voltou a pedir autorização para aumentar também as passagens dos ônibus convencionais. Não foi atendido. “Em quatro, cinco meses, o sistema (da frota convencional) terá problema”, comentou o secretário, na saída da coletiva. O reajuste já era esperado, apesar de, em dezembro passado, o governador informar que o aumento só viria quando a integração estivesse completa. No início desta semana, o assunto voltou à tona depois de o secretário Fraga insistir que era preciso rever as tarifas. Em dois meses, ele chegou a apresentar ao governador quatro planilhas de custos comprovando essa necessidade. Durante a entrevista coletiva de ontem, Fraga afirmou que o aumento é a única saída para equilibrar as contas. A justificativa dada por Fraga para o reajuste é de que, sem mudanças nas tarifas, o sistema estaria financeiramente comprometido. Ele lembrou que houve renovação da frota, aumento do preço do óleo diesel e do custo das peças de reposição. Disse ainda que o metrô opera com déficit de R$ 14 milhões mensais. E que, no caso dos micro-ônibus, o prejuízo chega a R$ 1,7 milhão. Com os 100 novos micro-ônibus que ganham as ruas também a partir de amanhã, esse número subiria para R$ 2,4 milhões. “Sem o aumento, o metrô e as empresas de micro-ônibus iriam quebrar”, afirmou. “Ninguém gosta de aumento, mas não teve outro jeito”, completou Fraga. A tarifa de R$ 1 para os micro-ônibus foi definida no lançamento da frota, em julho do ano passado. “Essa mea-culpa eu já fiz publicamente. Foi um erro do DFTrans (Transportes Urbanos do DF). A tarifa de R$ 1 não paga nem o diesel”, disse Fraga. Sobre o reajuste de 50% no bilhete do metrô, ele disse que não se trata de aumento, mas, sim, do fim de uma promoção. “Essa tarifa já era R$ 3. Em 2005, lançou-se o preço promocional de R$ 2, mas o número de usuários do sistema saiu de 40 mil para 160 mil (por dia) e ainda compramos 12 novos trens”, argumentou. Outra novidade Entra em vigor amanhã também uma prévia do Sistema Brasília Integrada. Os usuários que possuem o bilhete eletrônico — o cartão vale-transporte da empresa Fácil — poderão andar de metrô, micro-ônibus e ônibus com um preço único de R$ 3. Apenas 20 linhas dos micro-ônibus (Samambaia, Ceilândia e Guará), no entanto, estão adaptadas ao sistema, nesse primeiro momento. As cinco linhas da empresa TCB (Plano Piloto) também fazem parte da integração. Esses micro-ônibus e ônibus serão identificados com adesivo nos vidros. O tempo máximo para que o usuário saia de um meio de transporte e entre em outro será de duas horas. Tão logo souberam do reajuste nas tarifas, os estudantes foram às ruas protestar contra o aumento. Apesar de esvaziada — havia aproximadamente 30 pessoas —, a manifestação de ontem à tarde, na Rodoviária do Plano Piloto, causou transtorno aos motoristas que passaram pelo terminal no horário de pico (entre 18h e 20h). » Ouça entrevista: com o secretário de Transportes, Alberto Fraga

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