Cidades

Em 2008, 2.574 motoristas do DF tiveram a carteira de motorista suspensa

As principais causas foram acumular 20 pontos e dirigir alcoolizado

postado em 13/02/2009 07:50
A suspensão de carteira de motorista bateu recorde no Distrito Federal. Com o aumento da fiscalização por conta da lei seca e o mutirão para punir de forma mais rápida os motoristas com mais pontos na carteira, 2.574 moradores da capital federal perderam, em 2008, o direito de dirigir por um período que variou de um a 12 meses. É como se a cada dia, em média, sete motoristas fossem afastados do volante. Um aumento de 32,6% em relação a 2007. Nos últimos quatro anos, o acúmulo de 20 pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CHN) esteve no topo das razões para que o condutor do DF tivesse o documento suspenso. Representou 39,6% do total de suspensões. Não precisa muito para cair nesse caso. Avançar três vezes o sinal vermelho em menos de um ano rende 21 pontos na CNH. Pela primeira vez em seis anos ; desde que o Detran passou a divulgar as estatísticas de suspensão e cassação de CNH ;, dirigir alcoolizado ocupou a segunda colocação no ranking, com 19,6%. O economista Jacques Humberto Rodrigues Alves, 51 anos, teve o documento suspenso por um mês depois de atingir 30 pontos. Ele foi flagrado seis vezes acima da velocidade permitida em 2003. ;Foi distração mesmo. Posso mostrar as multas. As vias eram de 60km/h e passei dois ou três quilômetros acima do permitido;, destacou. Não encontrado Jacques foi julgado à revelia porque não foi encontrado pelo Detran. Soube da suspensão do documento ao tentar renovar a carteira, no fim do ano passado. ;Mudei de endereço e eles não me localizaram. O curioso é que comprei dois carros e os documentos já estão com endereço atual. Mas no sistema do Detran continuava o antigo, de 2003. Deviam modernizar o sistema e permitir que o condutor atualize o endereço no site;, sugeriu o economista, que começou nesta semana o curso de reciclagem para condutores infratores. ;Acho a carga horária muito pesada. Ficar aqui três horas e meia, durante oito dias, é muito desgastante, mas já estou mais atento no trânsito;, reconheceu. Diretor de Controle de Veículos e Condutores do Detran, o coronel Admir Santana mostrou-se insatisfeito com a quantidade de suspensões de CNH, apesar do aumento de casos. ;Nós gostaríamos que a análise dos processos fosse mais rápida. Mas, infelizmente, não temos a quantidade de servidores suficiente;, lamentou. Segundo o coronel, com o mutirão organizado para analisar os processos parados no órgão, muitos casos foram resolvidos. Além disso, contou, o setor que analisa a papelada foi reforçado com mais dois funcionários. ;Com o concurso público que está em andamento, esperamos melhorar o quadro e agilizar ainda mais a análise dos processos. O Código de Trânsito Brasileiro já é extremamente generoso com o infrator ao conceder um longo tempo para recursos;, considerou. Se as suspensões estão em alta, a quantidade de cassação das CNHs despencou. No ano passado foram 65, queda de 35% em relação ao mesmo período de 2007, quando 100 condutores receberam essa punição. A cassação é aplicada em caso de infrações mais graves (veja arte). O tempo de punição é de dois anos. Quando encerra-se esse prazo, o condutor precisa refazer todo o processo como se fosse tirar a primeira CNH. De acordo com o coronel Santana, a queda nas cassações se deve ao rigor na fiscalização. ;Quando o condutor tem o documento suspenso, é orientado pelo servidor que, se for flagrado ao volante, terá a carteira cassada. Isso inibiu um pouco;, explicou. Indignação No ano passado, 8.274 condutores passaram pela Escola Pública de Trânsito do Detran. Desses, 19,7% ou 1.632, eram condutores infratores. A grande maioria chega revoltada, afirmou o diretor de Educação para o Trânsito do Detran, Miguel Ramirez. ;No primeiro dia de aula, o professor tem de fazer um trabalho de convencimento de que não foi o Detran que os trouxe para a sala de aula. Mas, sim, eles mesmos;, completou. Para o especialista em segurança no trânsito Eduardo Biavati, a reação ;revoltada, ultrajada e indignada; de condutores infratores é comum em qualquer ambiente em que a reciclagem é compulsória. ;Tudo isso revela um problema mais profundo: nós todos transgredimos o código de trânsito deliberada e intencionalmente;, afirmou. O funcionário público José Antônio Rodrigues, 31 anos, foi parar no curso de reciclagem de motoristas infratores após acumular 37 pontos na CHN. Fazer manobra perigosa esteve entre as infrações. Das outras ele não se lembra. ;Eu não estava dando cavalo-de-pau. Tinha brigado com a namorada e arranquei com o carro na hora de sair;, defendeu-se. José Antônio admitiu ter dirigido três anos com carteira suspensa ; ele não apareceu no Detran para entregar o documento, como deve ser feito após o encerramento do processo. Só teve a habilitação recolhida no fim de 2008, na hora de renovar a carteira. ;Eu mereci essa punição. Na verdade, acho até que foi pouco;, reconheceu.

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