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Correio Braziliense

Educação física e artes em horário contrário

 


postado em 06/03/2009 08:15 / atualizado em 06/03/2009 08:15

As aulas de educação física e artes podem dar lugar as de matemática, português ou ciências na grade horária dos alunos da rede pública. A proposta do secretário de Educação Integral, Marcelo Aguiar, é passar as aulas dessas duas matérias para o contraturno. O estudante matriculado no turno da manhã faria a educação física à tarde, por exemplo. “Os alunos saem da quadra de esporte cheios de adrenalina e suados. Se a atividade for feita em outro horário, não haverá prejuízo ao conteúdo”, explica. De acordo com ele, a proposta é começar as mudanças imediatamente. “Até o fim do ano, isso pode estar em todas as escolas de educação integral.” O secretário de Educação, José Luiz Valente, que responde pela organização da rede, explica que o projeto é viável. “Sou favorável à autonomia das escolas até porque o que funciona para uma pode não funcionar para outra”, argumenta. “Mas imagino que isso possa facilmente ser aplicado nas escolas de educação integral. É só elas se posicionarem nesse sentido”, diz. Atualmente, 140 colégios da rede pública têm ensino durante todo o dia. Nas outras 480 escolas, a mudança seria mais complexa porque dependeria de transporte e alimentação para os alunos. A dona de casa Maria de Nazaré Dantas, 41 anos, concorda com a mudança. Mateus, filho dela de 13 anos, estuda na 7ª série do ensino fundamental no Cruzeiro e, em dia que tem educação física, perde o conteúdo. “Ele joga futebol e volta ansioso para a sala de aula. Ainda mais em dia que o time deles ganha.” Migração A migração da aula de educação física e artes para outro turno de aula não é novidade na rede particular. “Muitas escolas optaram pela mudança principalmente no ensino médio, quando os alunos precisam de mais concentração e conteúdo por causa do vestibular e do Programa de Avaliação Seriada (PAS)”, afirma a pedagoga Solange Madeira, que dá consultoria a escolas no Distrito Federal. Na rede pública, Marcelo Aguiar destaca que as mudanças trarão melhoria na qualidade de vida dos alunos e professores, sem aumento de custo. “Essa é uma das preocupações, ainda mais em tempos de crise”, afirma. Sâmela Soraya Barbosa, de 17 anos, aluna do 3º ano do Elefante Branco, acha a mudança positiva. Ela estuda no período da manhã e passa as tardes na biblioteca e no pátio do colégio localizado na Asa Sul. “No horário contrário seria mais fácil assistir à aula. Acho que não seria um problema para os alunos”, afirma. A amiga dela, Ana Carolina dos Santos, também de 17 anos, aluna do 3º ano do Setor Leste, também da Asa Sul, acha que a migração das aulas de educação física seria boa pelo aumento dos conteúdos na grade horária. Ela também estuda pela manhã. “Tenho educação física apenas uma vez por semana, o que já não adianta nada mesmo”, argumenta. “Na verdade, somos muito prejudicados porque perdemos aulas convencionais e não dá tempo de pegar o mesmo conteúdo que os alunos das escolas particulares. A mudança não seria problema.” Colaborou Elisa Tecles

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