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Correio Braziliense

Astronomia: Se não for cometa, é um meteorito

Dezenas de e-mail chegaram à Redação do Correio com relatos de pessoas que viram um facho verde no céu no último sábado. Cientistas continuam a estudar o fenômeno


postado em 11/03/2009 08:00 / atualizado em 10/03/2009 23:39

Nada de avião supersônico, satélite artificial ou balão meteorológico. O objeto voador não identificado (Ovni) visto por brasilienses e goianos na noite de sábado trata-se de um meteorito ou pedaço de cometa. Essa é a explicação de astrônomos da Universidade Federal de Goiás (UFG) e do Museu Nacional do Rio de Janeiro para o facho de luz em tom verde que iluminou o céu da região Centro-Oeste em alta velocidade. Os cientistas descartaram as outras hipóteses após a Força Aérea Brasileira (FAB) afirmar não ter registrado quebra da barreira do som por um avião na noite de 7 de março, na região onde pessoas viram o risco seguido por um clarão. Os astrônomos baseiam as possibilidades de meteorito ou pedaço de cometa nos relatos publicados ontem pelo Correio. O jornal localizou 12 moradores do DF e Goiás que contaram ter presenciado o mesmo evento. Com a repercussão, 48 leitores mandaram e-mails à Redação, até as 19h30, dizendo também ter visto o Ovni. Gente até de cidades mineiras e baianas que fazem divisa com Goiás. Diretor do Planetário da UFG, o astrofísico Juan Marques Barrio demonstrava certa descrença com os testemunhos. Mudou de ideia na tarde de ontem. “Parentes e alguns amigos que estavam em Pirenópolis (a 140km de Brasília) viram o mesmo fenômeno descrito por moradores do interior de Goiás e de Brasília”, contou. “Pode ser um meteorito, mas, pelas informações, acredito mais em pedaço de cometa. Nesse caso, quando entra na atmosfera, é comum o clarão se o tempo estiver nublado, como na noite de sábado”, explicou Barrio. Barra de gelo Se foi a parte de um cometa que se desprendeu, ela se desintegrou antes de chegar ao solo, segundo o astrônomo. “O pedaço de um cometa é como uma grande barra de gelo suja. No máximo, deixa um rastro de queimado na terra, se tiver mato ou grama”, observou o professor. O último cometa detectado na órbita da Terra é o Lulin. Esverdeado, rápido, vindo de longe, circulando no sentido oposto ao dos planetas e com duas caudas, o Lulin pôde ser visto no céu com brilho máximo na madrugada de 24 de fevereiro último, com ajuda de binóculos. Para a astrônoma Maria Elizabeth Zucolotto, os testemunhos de leitores reforçam a suspeita de meteorito. “Eles costumam ter essa claridade e cruzar o céu muito rapidamente. Mas é preciso achar algum destroço para a confirmação”, reforçou a professora, responsável pelo setor de meteoritos do Museu Nacional. De acordo com os relatos, se caiu na Terra, é provável que o Ovni esteja em alguma fazenda de Divinópolis ou São Domingos, cidades do norte goiano com menos de 10 mil habitantes, a mais de 400km de Brasília. Mas, até a noite de ontem, nada havia sido encontrado. Os aparelhos do Observatório Sismológico da UnB não registraram tremores de terra em Brasília nem no norte ou nordeste de Goiás — onde moradores falaram em estrondo após verem o brilho no céu — na noite de sábado. No entanto, às 19h49, a estação de infrassom identificou um sinal a 26º a nordeste de Brasília. São Domingos, por exemplo, fica a 36º nessa direção. Ontem, duas leitoras de cidades baianas vizinhas de Goiás telefonaram e mandaram e-mail para informar que o tal Ovni também havia sido visto por lá. Testemunhos Além delas, quarenta e seis leitores haviam enviado e-mail contando a experiência. Desses, 39 viram o fenômeno no DF, seis moram ou estavam em Goiás e um em Paracatu (MG). Todos disseram ter visto uma luz verde ou azul. A maioria viu o objeto se desintegrar no céu, mas quase ninguém ouviu um barulho. “A luz não demorou muito tempo. Foi o suficiente para vê-la passar não muito longe”, contou o advogado Rogério Gomes. Morador de Brasília, ele estava acampado com amigos em uma fazenda entre Flores e Alvorada de Goiás, quando presenciou o fenômeno. Já Bruno Maciel Moraes, 31 anos, passava por Posse (GO) quando viu o brilho. “Vínhamos de carro na BR-020 (Brasília-Fortaleza). Eram umas 19h40, quando um facho de luz verde no centro e passando para tons de azul e branco nas extremidades, surgiu no lado esquerdo da pista. Achei que fossem fogos de artifício detonados de forma errada, pois, em vez de seguirem na vertical, o rastro passou pela horizontal. Deu para ouvir um barulho desses típicos de gás sendo liberado para encher um balão de ar quente. Como estava ao volante e o fenômeno se findou para o lado do passageiro, perdi um pouco do campo de visão do momento da queda. Mas, de acordo com a minha irmã, ela viu a ponta da ‘estrela’ se abrir e saírem três pequenas bolas de fogo, antes de se perder no chão”, relatou. Muitos moradores de Sobradinho disseram ter visto a tal bola brilhante cortar o céu na região dos condomínios residenciais. “No retorno para casa no sábado à noite, próximo ao Posto Colorado, avistei uma luz esverdeada cruzando o céu muito rápido. Isso durou alguns segundos. Pensei que pudesse ser um avião caindo. Parei o carro para esperar, achando que iria haver uma explosão, mas não houve. A luz sumiu no horizonte”, descreveu Rogério Wolney, 32 anos, servidor do Ministério do Esporte.


» Interatividade: se você viu o objeto no céu, envie seu relato ou imagem do fenômeno para o e-mail leitor.df@diariosassociados.com.br

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