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Correio Braziliense

Temporal alaga o Plano Piloto

Em meia hora de chuva forte, tesourinhas alagaram, carros apagaram e o forro do teto de uma loja em shopping no centro da cidade desabou


postado em 11/03/2009 08:05 / atualizado em 10/03/2009 23:36

A chuva que atingiu o Distrito Federal ontem à tarde aliviou o calor do brasiliense e trouxe transtornos para quem trafegava pelo Plano Piloto. Choveu por cerca de meia hora, entre as 16h e as 16h30, mas motoristas e pedestres que circulavam pelas vias sofreram. Os estragos foram maiores na Asa Norte, onde o teto de uma loja de shopping desabou, as ruas foram tomadas pela enxurrada e pelo menos dois carros ficaram alagados em tesourinhas. A tempestade foi um prenúncio dos temporais esperados para a segunda quinzena de março. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou apenas 3,7 milímetros de precipitação, valor considerado baixo, mas a medição é feita na sede do instituto, no Sudoeste. “As chuvas foram esparsas. Pode ter chovido bem mais na Asa Norte, por exemplo”, explicou o meteorologista Manoel Rangel, do Inmet. A previsão para hoje é que o dia continue quente, com temperaturas entre 18º C e 29º C. O céu deve ficar de parcialmente nublado a nublado e há possibilidades de pancadas de chuva no fim da tarde.

Tesourinhas viraram “piscinas” na Asa Norte(foto: José Varella/CB/D.A Press)
Tesourinhas viraram “piscinas” na Asa Norte (foto: José Varella/CB/D.A Press)
Nem o Corpo de Bombeiros nem a Defesa Civil atenderam a chamados em cidades fora do Plano. O trabalho se concentrou no centro da capital. Por volta das 16h, a aposentada Ione Carneiro, 74, saía do dentista, na Asa Norte, e ia para casa, no Lago Norte. A chuva estava forte, mas Ione não imaginava o que aconteceria: ao passar sob a tesourinha da 202 Norte, o carro apagou e a água invadiu o veículo, um Corsa Sedan preto. “A água batia na metade da porta. Fiquei desesperada. Parecia que dava para passar, mas, quando desci, a enxurrada veio com tudo”, contou. Ione teve que esperar o nível da água baixar para empurrar o carro até o gramado. O automóvel ficou encharcado — foi preciso retirar a água com vasilhas — e precisou ser guinchado. Outro condutor passou por apuros na tesourinha da 209 Norte. O carro dele ficou preso e inundado. Ele pediu socorro ao Corpo de Bombeiros. As tesourinhas da 104 Norte e 202 Sul também foram tomadas pela enxurrada, mas não houve registros de incidentes. A Via S1 e L2 Sul ficaram alagadas e vários motoristas precisaram sair dos carros para empurrá-los. Na 511 Norte, a força da chuva assustou os motoristas. A água ameaçou invadir a garagem dos prédios do Ministério da Saúde e do edifício Bittar III. A rua virou um rio e os funcionários dos prédios da quadra desceram às pressas para colocar os carros em cima do meio-fio. Planalto Em meio ao temporal, um motorista de táxi optou por uma transgressão para deixar um passageiro no Palácio do Planalto. Ele subiu na calçada do estacionamento lateral e transitou pela calçada de acesso. A polícia autuou o profissional na hora. A infração foi considerada gravíssima, o que significa multa de R$ 574 mais sete pontos na carteira de habilitação. » Você fez imagens da chuva? Envie fotos e vídeos para leitor.df@diariosassociados.com.br
Expectativa de mais água A chuva também causou estragos na estrutura do Shopping ID, no Setor Comercial Norte. A pressão da água foi tão intensa que estourou um cano. O gesso do teto não suportou o peso da água e desabou, o que causou alagamento no térreo. “A cidade está sujeita às intempéries da natureza. Foi uma infelicidade o que ocorreu aqui hoje, mas o importante é que não houve vítimas”, afirmou o superintendente do local, Zoroastro Vasconcelos Neto. Após o incidente, uma área de aproximadamente 20 metros quadrados foi isolada. Funcionários de uma loja próxima ao local onde o teto desabou tiveram deixar o lugar. O shopping funcionou normalmente até as 22h. Uma vistoria ainda seria feita para avaliar se o estrago foi causado exclusivamente pela água da chuva. Nos dez primeiros dias de março, o índice pluviométrico do DF ficou em 16,6mm, bem abaixo dos 84,6mm registrados no mesmo período do ano passado. A média de chuva para os meses de março é de 188mm. “É impossível saber se o índice chegará à média histórica, mas a previsão é de muita chuva na segunda quinzena de março”, destaca Manoel Rangel, do Inmet. Ontem, a temperatura variou entre 18,2°C e 28°C e a umidade relativa do ar mínima foi de 40%. Segundo o meteorologista, as chuvas passarão a ficar mais constantes porque uma frente fria, que hoje está entre o Rio de Janeiro e São Paulo, vai chegar ao DF até domingo, quando se unirá a áreas de instabilidade que já estão sobre a capital. Assim, as cenas de tesourinhas alagadas, árvores tombadas e complicação no trânsito devem se repetir. Colaborou Helena Mader

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