A Coordenação de Repressão às Drogas (Cord) realizou na noite desta sexta-feira (13/03) a maior
apreensão de comprimidos de Rohypnol da história do Distrito Federal. Foram 3,4 mil unidades da
droga juntamente com outros medicamentos como Cytotec - utilizado para provocar abortos -
anabolizantes, inibidores de apetite e medicamentos de uso controlado.
Os comprimidos eram comercializados na plataforma superior da Rodoviária do Plano Piloto, em frente
ao shopping Conjunto Nacional. No momento da prisão, Everaldo Ferreira da Silva, 38 anos, vendia as
drogas para Sandra Nascimento da Silva, 43, Kelly Patrícia Alves Pererira, 26 e um adolescente, de
17 anos, que teve sua indentidade preservada.
Todos os adultos foram presos em flagrante pela comercialização do medicamento sem a devida
autorização. O adolescente foi detido e encaminhado à Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA).
Os comprimidos estavam no porta-malas do carro de Everaldo, um Vectra (placa JKZ 6659).
O acusado era proprietário de uma farmácia em Planaltina de Góias. No estabelecimento, os policiais,
juntamente com fiscais da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), prenderam a mãe de
Everaldo, Elena Elias Pereira Lopes, 65 anos, e a irmã dele, Eliane Ferreira Lopes Sousa, 40.
A polícia divulgou vídeos realizados durante as investigações, que mostram Everaldo poucos segundos
antes de ser preso e também da mãe dele, Elena Elias, distribuindo os comprimidos embalados para
presente no shopping Conjunto Nacional (assista aos vídeos abaixo).
style="margin:10px">[VIDEO1]
[VIDEO2]Segundo o delegado João Emílio De Oliveira, titular da
Cord, a mãe de Everaldo vinha com o filho até o Plano Piloto revender os comprimidos, enquanto a
filha cuidava da farmácia. "Foram de três a quatro meses de investigações. Já sabíamos da ação
do grupo, mas estávamos esperando para apreender uma maior quantidade do material", explicou o
delegado.
A polícia chegou à quadrilha após a prisão, no dia 6 deste mês, de Luciano Campos Alves, de 24
anos. Ele comprou drogas de Everaldo também em frente ao Conjunto Nacional e foi seguido até o
Paranoá, onde foi abordado e, em seguida, preso.
O delegado João Emílio destaca que, desde então, a quadrilha estava sendo monitorada. "Nunca
tínhamos feito uma operação dessas para apreender esse tipo de medicamento. Acreditamos que a
maior parte do que foi apreendido seria destinado ao sistema penitenciário, já que esse tipo de
medicamento é muito comum em visitas aos presídios", explicou o delegado.
A partir da apreensão, a Cord afirmou que redobrará a atenção com relação aos estabelecimentos
que comercializam esse tipo de substância controlada. A Anvisa também será orientada a adotar o
mesmo processo. O delegado não descartou a possibilitade de existir uma rede de comercialização
ainda maior, que será investigada. Ao todo, atuaram na operação 12 agentes da Cord .
Embalada para presente
A marca da quadrillha era a forma como a droga era distribuída, embalada em caixas de presente,
entregues aos consumidores pela mãe de Everaldo. Os comprimidos eram vendidos para
distribuidores por cerca de R$ 0,90, enquanto para os usuários finais o preço chegava a R$ 10.
Com o dinheiro das revendas, Everaldo Ferreira adquiriu, este ano, uma chácara no valor de R$ 80
mil. Os acusados serão autuados por tráfico de drogas, cuja pena varia de cinco a 15 anos de
prisão; por associação ao tráfico, com pena que vai de três a 10 anos; e por venda de
medicamentos controlados sem autorização. As penas são cumulativas.
Dos presos na operação, batizada com o nome de Morfeu, apenas Kelly tinha passagem pela polícia
por estelionato, os demais tinham a ficha limpa. Os acusados serão encaminhados ao Departamento
de Polícia Especializada e à Penitenciária Feminina do DF.