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Correio Braziliense

Vândalos picham o Teatro Nacional

Os rabiscos na fachada voltada para o Eixo Monumental foram percebidos na manhã de ontem


postado em 17/03/2009 08:36 / atualizado em 17/03/2009 09:00

O Teatro Nacional Cláudio Santoro amanheceu na segunda-feira (16/3) com a fachada voltada para o Eixo Monumental toda pichada. Esta é a primeira vez, desde que o teatro foi erguido, em 1961, que a estrutura é alvo de vândalos. Monumentos tombados como o Memorial JK, também no Eixo Monumental, a Ermida Dom Bosco, no Lago Sul, e a Igrejinha Nossa Senhora de Fátima, na Asa Sul, já tiveram suas fachadas manchadas por pichadores. O crime contra o patrimônio pode resultar em até três anos de cadeia, mais multa. Para o superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Brasília, Alfredo Gastal, a principal explicação para o desrespeito ao patrimônio é a demora para a recolocação dos cubos que ornavam a fachada do teatro até 2007. Instalados em 1966, os blocos de concreto — uma obra do artista plástico Athos Bulcão — foram retirados há dois anos como parte do processo de recuperação do prédio, mas a recolocação dos cubos se estende além dos nove meses inicialmente planejados pela Secretaria de Obras. “O vazio convida manifestações desse tipo. Deram uma pintura branca e não recolocaram os cubos”, critica Gastal. “Em 40 anos que moro em Brasília, nunca vi esse teatro pichado. É evidente que isso só aconteceu porque ele está vazio”, opina Valéria Cabral, secretária-executiva da Fundação Athos Bulcão. “Esse é mais um indício de que precisamos orientar as nossas crianças para a educação patrimonial. Ando cansada com a falta de respeito das pessoas com o nosso patrimônio”, desabafa Valéria. De acordo com ela, é preciso que as pessoas se sintam “donas” de Brasília. “Parece que a cidade é um aeroporto, que só serve de passagem”, compara. Os painéis do Teatro Nacional eram cobertos por 3.391 cubos de cinco tamanhos diferentes. Instalados em 1966, os blocos de concreto eram fixados nas paredes com pinos de ferro, que enferrujaram com o passar do tempo. As paredes do teatro ficaram sujas por manchas provocadas pela ferrugem e os blocos corriam o risco de despencar. Planos alterados O secretário-adjunto de Obras, Jaime Alarcão, discorda que a pichação tenha sido causada pela ausência dos cubos, mas também está incomodado com a demora para a recolocação dos blocos de concreto. “A pedido do próprio Athos Bulcão (que morreu no ano passado), alteramos nossos planos iniciais de substituir o concreto por um material mais leve, mas, por causa disso tivemos que refazer o processo de licitação”, ressalta. De acordo com Alarcão, já foram abertos dois processos de licitação para a recolocação dos cubos, mas nenhuma empresa se interessou por realizar a obra, orçada em R$ 900 mil. “Estamos fazendo um novo orçamento, com o valor em torno de R$ 1,6 milhão, para colocar em licitação em 30 dias. Depois disso, devemos começar a recolocar os cubos em 60 dias”, prevê o secretário-adjunto. Ainda não há previsão para a pintura da fachada do teatro. Para o diretor-interino do Teatro Nacional, Paulo Cesar Caldas, a responsabilidade por limpar a pichação é da Secretaria de Obras. “Não posso me meter, porque a obra de impermeabilização externa é responsabilidade da empresa HB Engenharia”, disse. A Secretaria de Obras avisa, entretanto, que a Secretaria de Cultura precisa pelo menos avisar que o serviço deve ser feito. “Não importa quem é o responsável. O melhor a fazer nessas situações é pintar logo que se descobre a pichação. Não se pode pensar duas vezes”, critica Gastal. Até ontem à noite, nem mesmo uma ocorrência policial tinha sido registrada sobre a pichação. Ar-condicionado O Teatro Nacional também passa por problemas internos. O público que compareceu à sala Martins Pena na sexta-feira e no sábado, para assistir à peça Motel Paradiso, sofreu com o calor motivado pela ausência do ar-condicionado. “Todo mundo suava muito, foi muito incômoda a situação”, reclamou o ator e produtor Gerardo Franco. Para o público e os atores aguentarem, as portas de emergência do teatro tiveram que ser abertas. A equipe da produção da peça reclamou ainda do sumiço de um figurino. “Nós compramos um figurino para substituir o roubado e pedimos à direção do teatro que o dinheiro fosse ressarcido. Ainda esperamos uma resposta”, disse. Quando procurado pelo Correio, o diretor-interino do Teatro Nacional ainda não tinha sido avisado sobre os problemas do fim de semana. Colaborou Laís Lis, do Correiobraziliense.com.br

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