Encerrada a festa, o povo se vai, as luzes se apagam. O que passou, passou. Agora, é se preparar para o 50º aniversário. A contagem regressiva para o cinquentenário já começou. E, com ela, a expectativa dos que escolheram a capital para a vida inteira ou para uma temporada. Afinal, qual é a Brasília que se quer para daqui a 364 dias? Predomina o desejo comum de uma cidade menos violenta. E que ofereça aos seus moradores um transporte público eficiente, qualidade no atendimento à saúde e um trânsito mais civilizado.
Em um exercício de imaginar como seria a Brasília ideal dos 50 anos, o manobrista Ricardo Alves, 26, precisa de uns poucos minutos. ;É preciso melhorar o atendimento nos hospitais. Em matéria de colégio, o ensino está fraco. O trânsito deve estar mais organizado. O motorista tem cada vez menos respeito pelas outras pessoas;, enumerou. Aos 8 anos, Denise Brandão Lima também quer uma Brasília diferente. ;Com mais professor e polícia na rua para prender os bandidos. Está muito perigoso;, afirmou.
Pai de Gabriel, 10 anos, e de Tímina, 7, o vigilante Carlito Rodrigues, 38, morador de Samambaia, imagina uma Brasília com mais segurança e menos tráfico de drogas. ;Ele (o tráfico) está cada dia mais perto da rotina das crianças e as drogas, muito acessíveis;, comentou. ;Espero que a cidade continue acolhedora e respeitadora da diversidade cultural;, completou a professora Elissandra Batista, 28 anos.
Gabriel e a irmã Tímina têm outras preocupações. Ele está atento ao meio ambiente. Ela, ao direito às brincadeiras ;Nós temos que diminuir a poluição. Falo de todo tipo de poluição: a sonora, a visual. Não precisa colocar uma placa grandona para o mundo todo ver. É muito feio;, advertiu. Já Tímina gostaria muito que no próximo aniversário de Brasília as cidades tivessem mais opções de lazer para as crianças. ;Quero que tenha mais praças e mais parquinhos para a gente brincar.;
Com as gêmeas Jaqueline e Juliana, de 1 ano e 1 mês, Rosa Maria Ferreira Soares, 31, e Weslei Rosa Soares, 27, torcem para que daqui a um ano, Brasília tenha uma rede pública de saúde com qualidade. E que os moradores se sintam mais seguros. ;É só aumentar o número de médicos;, sugeriu Rosa. ;E acabar com as bocas de fumo;, completou Weslei.
Na estrada, a caravana fotográfica
Quem passava pelo local não resistia a fazer uma parada e olhar com mais atenção as imagens expostas na pequena tenda em frente ao palco principal da Esplanada. As fotos da capital federal, em diversos momentos ou em ângulos inusitados, atraíram o público. A exposição Caravana Brasília 50 anos, promovida pelo Correio Braziliense, busca aproximar a cidade de todos os brasileiros. Para isso, apresenta fotos de profissionais que mostram o centro urbano, desde sua construção até seus dias atuais. E não se limitará à festa de aniversário da capital. A caravana pretende percorrer mais de 27 mil quilômetros entre rodovias e hidrovias, de norte a sul e de leste a oeste do país. Todas as capitais e centenas de cidades fazem parte do cronograma de visitas da exposição. Além de fotos, haverá ainda informativos e vídeos sobre o significado de Brasília e tudo o que ela tem a oferecer como modelo de planejamento urbano e construção da esperança. Durante toda a jornada, uma equipe de jornalistas vai alimentar um blog e um diário de bordo sobre a viagem.
Ser brasiliense é...
Eunice Batista, 37 anos, professora, moradora de Taguatinga
;Ser eclético. O brasiliense tem um coração grande e, por isso, consegue receber culturas diferentes, vindas do país inteiro. Ele é participativo, democrático e vive com o coração aberto. Esta é uma terra onde é possível se expressar, onde há liberdade, e toda a população sabe disso. Brasília favorece a cidadania e isso contribui para a maneira como nos comportamos. Nós e a cidade merecemos uma festa como esta.;