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Correio Braziliense

Seca à vista: é tempo de cuidados para quem tem asma

 


postado em 07/05/2009 07:53 / atualizado em 07/05/2009 07:53

A queda na temperatura anuncia que o período de seca se aproxima em Brasília. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as chuvas diminuirão até a chegada do inverno, às 14h45 de 21 de junho. Depois, quem mora na capital federal terá pela frente cerca de três meses de baixa umidade e nada de água. Os que mais sofrem são os asmáticos e alérgicos. Por isso, cuidados básicos precisam ser redobrados nessa época. A Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia (Asbai) realiza hoje, no Hospital Regional da Asa Norte, a partir das 14h, um ciclo de palestras com dicas de como prevenir crises alérgicas e asmáticas. O encontro, gratuito e aberto à comunidade, marca o Dia Nacional de Prevenção das Doenças Alérgicas e Apoio ao Dia Mundial de Combate à Asma. Os participantes poderão fazer o teste do sopro, para saber se estão ou não com algum problema.

 Na casa de Zuldene não há tapetes. Cortinas, só na sala: prevenção(foto: Daniel Ferreira/CB/D.A Press)
Na casa de Zuldene não há tapetes. Cortinas, só na sala: prevenção (foto: Daniel Ferreira/CB/D.A Press)
A asma, segundo dados do Ministério da Saúde, mata de seis a 10 pessoas por dia no Brasil. No DF, estima-se que existam cerca de 450 mil asmáticos. “As doenças alérgicas e asma não têm cura, mas é possível controlá-las”, destaca a presidente da Asbai no DF, Marly Otero. Ela diz que muitos pacientes preferem a automedicação a procurar um médico especializado. “Esse é o principal problema”, constata. Desde os 12 anos, quando descobriu a asma, a bancária Zuldene Cipriano, hoje com 46, teve de aprender a lidar com a doença. Na casa dela, não há tapetes e as cortinas estão apenas na sala. Zuldene não consegue ficar perto de fumantes nem tolera cheiros fortes, como o de alguns produtos de limpeza. “O segredo é a disciplina. Se você não se cuidar, vai criando um monstrinho dentro de você”, ensina ela, que não anda sem o inalador. “É meu pulmão”, brinca. Em junho, o programa da Secretaria de Saúde do DF voltado para os asmáticos completará 10 anos. São 27 centros de referência espalhados pelas cidades, menos em Samambaia. Cerca de 60 alergistas e pneumatologistas atendem, em média, cinco mil pessoas por mês. “A asma mata, mas temos tratamento para ela. O problema é que muita gente só procura ajuda quando surge a crise”, reforça a coordenadora do programa, Marta Guidacci. O autônomo João Francisco Nogueira, 25 anos, reconhece que “relaxou” em relação ao quadro alérgico que o acompanha desde a infância. A sinusite e a rinite vez ou outra lhe trazem dores de cabeça, espirros insistentes e dificuldades para respirar. “Os medicamentos ajudam um pouco, mas depois as crises voltam”, afirma ele, que até já se acostumou com o período da seca. “Na época de chuva, o cheiro de mofo também é problema”, justifica. As dicas dadas pelo pneumatologista e professor da Universidade de Brasília Ricardo Martins valem para todos, com ou sem asma ou doenças alérgicas. O organismo humano precisa de água. Com a baixa umidade, portanto, os cuidados com a pele e as vias respiratórias têm de ser reforçados. O professor lista sintomas que convidam a uma consulta médica: “Tosse constante, falta de ar, ‘chiado’ no peito. Na pele, os principais são a coceira e o aparecimento de manchas vermelhas”.
RECOMENDAÇÕES - Beba bastante líquido, mesmo que não sinta sede - Acrescente mais vegetais, legumes e frutas às refeições - Evite exercícios entre 9h e 17h - Não tome banhos longos com água quente - Evite ligar os aparelhos de ar-condicionado - Use hidratantes para evitar o ressecamento da pele - Mantenha o ambiente ventilado e umidificado com toalhas molhadas, por exemplo, desde que elas sejam trocadas com frequência - Não abuse no consumo de bebidas alcoólicas » Ouça entrevista com Ricardo Martins, pneumatologista da UnB

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