Publicidade

Correio Braziliense

Terceira idade ingressa na era da informática

 


postado em 30/05/2009 10:07 / atualizado em 30/05/2009 10:08

Otávia Maria de Miranda tem 82 anos. Viveu os últimos dois em casa, parada, sofrendo a perda do marido. A neta, Ana Paula Neves, 26, tomou uma atitude: inscreveu-a em um curso de informática. Otávia não queria. Mas, para não dar desgosto à moça, foi. “E não consegui mais parar. É divertimento. Posso conversar com meus amigos na Bahia com e-mail. Achei que não ia aprender, mas aprendi”, contou, comovida. Dito e feito: ontem, ela era um dos 91 formandos — todos maiores de 60 anos. E que receberam diploma, dançaram, confraternizaram e comemoraram a entrada na era da tecnologia. Os colegas são alunos do programa Geração III – Capacitação digital para maiores de 60 anos, da Secretaria de Ciência e Tecnologia. Hoje, o curso é oferecido gratuitamente nos centros do DF Digital em Ceilândia, na Biblioteca Nacional, no Plano Piloto e no Lúcio Costa, no Guará. Já capacitou — em 10 anos completados em outubro próximo — 1 mil idosos. A intenção é estender o projeto aos 26 DF Digitais do Distrito Federal. Os cursos ocorrem durante todo o ano e têm carga de 40 horas. Na tarde de ontem, no Salão de Múltiplas Funções do Cave, no Guará II, os alunos da melhor idade receberam os diplomas de conclusão das mãos do governador, José Roberto Arruda. O evento foi prestigiado por centenas de outros idosos, de diferentes cidades do DF. “Viemos conhecer, saber o que é essa aula de informática. Eu quero muito aprender. Será que consigo? Tenho vergonha de não saber mexer no computador”, confessou Valdenice Sales, 66, moradora da Asa Sul. Num primeiro momento, os alunos chegam à sala de aula inseguros. “Eles têm medo de apertar um botão errado e estragar a máquina. Mas em pouco tempo se soltam e aprendem. É uma transformação de vida linda, eleva a autoestima e os estimula”, descreveu um dos professores, Adelson Filho, 28. Domingos José Domingos, 72, estava empolgado com a formatura. “Vou até comprar um computador. Foi tudo bom, conheci pessoas, tive diversão e aprendi. Ficar em casa enferruja”, ensina. Iracy de Oliveira, 62, formou-se há dois meses. “Fiz o curso porque os filhos e netos estão antenados com a nova tecnologia e nós também precisamos estar. Temos que mostrar que somos capazes. Eu conheci a tecnologia e o mundo se abriu para mim. Falo até com minha filha que mora em Dubai”, conta, orgulhosa. Para Rosimeire Souza da Silva, a informática foi uma salvação. Com diabetes, insuficiência cardíaca e hipertensão pulmonar, ela mal consegue andar. “Eu ficava só em casa. Mas uma amiga me mostrou o curso e eles fizeram uma exceção por causa da minha idade. Não cheguei à terceira geração, mas fui obrigada. E agradeço a Deus.” Com 45 anos, ela se redescobriu: “Interagi com o mundo, tenho mais facilidade para ver minha conta no banco. Me renovou psicologicamente e fisicamente”. Otávia, a que foi levada na marra para o curso pela neta, era a mais animada. “Eu vim para Brasília a pé da Bahia, em 1957, com meu marido e minha filha de três meses. Quando cheguei aqui, ela já andava. Depois de tudo isso, hoje eu mexo no computador, mando e-mail, entro na internet e conheço o mundo”, contou a moradora de Ceilândia. Para se inscrever no curso, basta ir ao um dos DF Digital ou ligar para 3462-8800. Saúde Após o evento, o governador inaugurou o primeiro Centro de Saúde da Vila São José, em Brazlândia. Orçado em R$ 2,5 milhões, o espaço terá 48 profissionais da saúde, entre médicos, enfermeiros, ginecologistas, dentistas, pediatras, nutricionistas e assistentes sociais entre outros. Serão 300 atendimentos por dia, das 7h às 22h, de segunda a sexta-feira. “Vamos poder desafogar o atendimento do Hospital de Brazlândia, que hoje atende pacientes de locais como Padre Bernardo (GO), por exemplo”, disse o governador.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade