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Correio Braziliense

Marginalização é reflexo da ausência dos pais


postado em 28/06/2009 08:20 / atualizado em 28/06/2009 08:30

A assistente social Michely Raquel Silva Santos conhece como ninguém as histórias dos adolescentes infratores de Anápolis que têm os pais na Europa. Há quatro anos, ela atende todos os meninos e meninas internados por ter cometido algum ato infracional na cidade. De todos, ouviu reclamações sobre a ausência do pai, da mãe ou dos dois. Michely não tem dúvida de que a falta dos pais contribui para a marginalização das crianças e adolescentes deixadas para trás. “A mãe do menino, por exemplo, pode até não ter ido se prostituir, mas só de ela estar fora ele já carrega a pecha de ser filho de uma prostituta”, observa. Mesmo os que são levados depois pela mãe convivem com as sequelas do abandono parcial, segundo a especialista.
A assistente social Michely Santos atende os infratores(foto: Gustavo Moreno/CB/D.A Press)
A assistente social Michely Santos atende os infratores (foto: Gustavo Moreno/CB/D.A Press)
Ela conta que muitos dos meninos e meninas que os pais levam para Europa acabam voltando sozinhos. “No período de ausência dos pais, essas crianças criam hábitos e vícios, se perdem. Por isso não se adaptam a outro mundo”, explica. Para o juiz Carlos José Limongi Sterse, da Vara da Infância e da Juventude de Anápolis, pior situação vivem as crianças deixadas pelos pais com vizinhos ou até desconhecidos. “Essas ficam ainda mais vulneráveis. Os responsáveis geralmente só estão interessados no dinheiro que os pais das crianças mandam todo mês”, comenta o magistrado.

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