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Correio Braziliense

Brasília sediará evento da Unesco

Em 2010, quando completa 50 anos, Brasília receberá encontro de cidades consideradas patrimônio mundial


postado em 29/06/2009 08:41 / atualizado em 29/06/2009 13:18

Sevilha -- No ano do aniversário de 50 anos de sua fundação, Brasília sediará o 34º Encontro do Comitê de Patrimônio Mundial da Unesco. Uma oportunidade inédita para que autoridades na área da preservação cultural do mundo inteiro conheçam as características da capital brasileira e reflitam sobre o futuro e o desenvolvimento da cidade tombada. A escolha dos anfitriões de 2010 ocorreu ontem, por aclamação, durante a convenção em Sevilha, na Espanha. O governador José Roberto Arruda e o presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Luiz Fernando de Almeida, acompanharam a sessão. Num discurso em espanhol, Arruda agradeceu o reconhecimento da importância mundial de Brasília, única cidade moderna que ostenta o título de patrimônio cultural da humanidade. No próximo ano, representantes das 878 cidades e sítios históricos que integram a lista da Unesco deverão acompanhar a reunião. "É um fato marcante para Brasília. Além de discutirmos a preservação da nossa cidade, a visita de delegações estrangeiras vai, com certeza, favorecer o turismo", disse o governador ao Correio. "Será o mais ponto alto das celebrações dos 50 anos", acrescentou. Arruda promete investir na recuperação de monumentos e de museus para receber técnicos, diplomatas, prefeitos, governadores, ministros e arquitetos em junho de 2010. A organização do evento será feita em parceria com o Governo Federal. Na mesma sessão de ontem, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, foi escolhido presidente do Comitê de Patrimônio Mundial, cargo que ocupará até a reunião no próximo ano. Mudanças De acordo com o presidente do Iphan, o Comitê de Patrimônio Cultural recebeu denúncias de entidades não governamentais sobre intervenções que Brasília vem sofrendo nos últimos anos, como invasões e propostas de mudança na destinação do uso de áreas. Mas, segundo ele, o Comitê ainda não tem motivos para incluir Brasília na zona de risco. O título concedido pela Unesco pode ser suspenso a qualquer tempo, sempre que houver graves comprometimentos da área reconhecida como patrimônio cultural. Na reunião deste ano, por exemplo, o Comitê decidiu retirar da lista de Patrimônio Mundial o Vale de Elba, em Dresden, cidade no leste da Alemanha, por conta da construção de uma ponte que desfigurou o coração da paisagem cujo valor universal havia sido reconhecido pela Unesco. Projeto Arruda está na Europa desde a semana passada, quando visitou Paris e Montpellier, na França, para conhecer Veículos Leve sobre Trilhos (VLT), sistema de vagões que pretende construir no DF para diminuir o número de carros nas ruas e desafogar o trânsito. Em Sevilha, ele conheceu o sistema local. Na cidade espanhola da Andaluzia, Arruda conversou sobre o projeto para Brasília com o presidente do Iphan que o incentivou a adotar medidas para melhorar o transporte em Brasília. O que é A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) foi fundada em 16 de novembro de 1945 para promover a cooperação internacional e a proteção do patrimônio cultural e natural de todo o mundo. MEMÓRIA Prêmio à criatividade Em 7 de dezembro de 1987, Brasília entrou para a restrita lista de cidades com o título de Patrimônio Cultural da Humanidade. Uma honra concedida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e a Cultura (Unesco), quando a capital tinha apenas 27 anos. Pela primeira vez, houve a interpretação de que uma cidade moderna tinha características universais. A escolha, feita a pedido do então governador José Aparecido, se deu pelo casamento de arquitetura arrojada, conjunto urbanístico e paisagístico diferenciado. Os destaques vinham das largas avenidas, os pilotis dos prédios e o próprio desenho da capital. %u201CO eixo norte-sul, sem curva, define o traçado da grande via de comunicação rodoviária ao longo da qual alinham-se zonas residenciais, articuladas em superquadras, tendo, cada uma delas, uma semiautonomia%u201D, cita a defesa feita pelo professor francês Léon Pressouyre, relator do pedido no Conselho do Patrimônio Mundial, em 1987.

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